Fiscalía investiga presunto contrabando de gado que envolve parente de senador colorado

Nove cargas de gado foram retidas em postos de controle em San Pedro e no Chaco com inconsistências em guias e marcas. A investigação apura possível contrabando e tem como suposta proprietária Bianca Judith Noria, apontada como irmã do senador Alfonso Noria e cunhada do governador de Canindeyú.

O Ministério Público investiga um suposto esquema de contrabando de gado após a retenção de nove caminhões em postos de controle nos dias 7 e 8 de abril de 2026. O caso veio à tona esta semana, mais de um mês depois dos fatos, e envolve uma pessoa com laços familiares na cúpula do Partido Colorado.

A Comissão de Luta contra o Abigeato e Controle do Tráfico de Gado (Colcat), da Associação Rural do Paraguai (ARP), encaminhou ao fiscal de abigeato Irán Suarez uma denúncia do grêmio com atas de fiscalização que apontam inconsistências em guias de trânsito e marcas complementares. Os animais eram transportados de Curuguaty, em Canindeyú, com destino a Boquerón, no Chaco.

Das nove cargas, cinco passaram por um segundo controle no posto Cerrito, na região do Chaco, e quatro ficaram retidas no posto da Colcat em 25 de Diciembre, San Pedro, sob investigação por possível contrabando. O fiscal Suarez confirmou que aguarda o relatório da Colcat sobre as irregularidades documentais verificadas em Cerrito.

Já os quatro caminhões retidos em San Pedro geraram uma causa separada, a cargo do fiscal Alexander Argüello. Segundo ele, foram constatados 15 animais sem a documentação exigida no momento da fiscalização. Os bovinos foram apreendidos e entregues a um depositário judicial enquanto a investigação avança. Os exemplares apresentavam marcas no lado direito, consideradas indícios de contrabando.

A suposta proprietária do gado é Bianca Judith Noria, nome que consta no documento enviado pela ARP. De acordo com a denúncia, ela seria irmã do senador colorado por Canindeyú, Alfonso Noria, e companheira do irmão do governador de Canindeyú, César “Tigre” Ramírez. O fiscal Argüello informou que já solicitou relatórios ao Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa) e convocou a proprietária para prestar declarações.

Argüello ressaltou que “ainda não se pode confirmar o delito” até que cheguem os informes da Colcat e do Senacsa. A investigação busca determinar a titularidade das marcas e o estoque de animais da proprietária.

O Senacsa, por sua vez, informou que somente na tarde de 20 de maio recebeu um pedido de informe relacionado aos caminhões retidos. O presidente do serviço, José Carlos Martín, havia dito inicialmente que nenhuma solicitação havia chegado, mas depois a comunicação foi corrigida por Martin Camperchioli. A ARP afirmou que aguarda os dados oficiais do Senacsa para se manifestar, especialmente sobre as marcas no costado direito dos animais apreendidos em 25 de Diciembre.