Um levantamento da Plataforma de Dados Abertos do Ministério Público, divulgado no marco do Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual Infantil, revelou que, entre 2015 e maio de 2026, 34.001 crianças e adolescentes foram atendidos como vítimas de abuso sexual no Paraguai. A esse número somam-se outras 23.463 vítimas menores de idade em casos de coação sexual, estupro, pornografia infantil, exploração sexual e laboral registrados nos últimos oito anos.
Somente de janeiro a maio de 2026, as autoridades contabilizaram 1.184 vítimas. O Departamento Central lidera as ocorrências, com 408 denúncias, seguido por Alto Paraná (164), Assunção (106), Itapúa (81), San Pedro e Caaguazú (69), Cordillera (46) e Guairá (40).
O perfil das vítimas mostra que 82,2% são meninas e adolescentes do sexo feminino, enquanto 17,8% são meninos. A faixa etária mais vulnerável é a de 10 a 13 anos, que responde por 45,2% dos casos; crianças de 5 a 9 anos representam 32%.
O dado mais alarmante é o local do crime: em 40% dos casos, o agressor é um parente do núcleo familiar. Dentro desse grupo, os pais são os principais denunciados (33%), seguidos pelos padrastros (26%), avós e primos (15% cada). Vizinhos aparecem em 19% dos casos, e pessoas próximas à família, como parceiros de parentes, em 18%.
Entre 2019 e 2026, foram investigados 13.884 casos de pornografia envolvendo crianças, com 75% concentrados em Assunção e no Departamento Central. No mesmo período, registraram-se 6.334 vítimas de estupro. Nos últimos cinco anos, 139 menores foram vítimas de tráfico de pessoas, sendo 99 submetidos à exploração laboral e 40 à exploração sexual.