Governo boliviano denuncia presença de grupos armados em protestos de apoiadores de Evo Morales

O governo da Bolívia afirmou nesta segunda-feira (18) que identificou supostos grupos armados entre os manifestantes que marcham em direção a La Paz para exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz. O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, apontou um ex-funcionário do Ministério da Defesa como líder de uma facção radical que exibiu armas em um vídeo nas redes sociais.

O governo boliviano denunciou nesta segunda-feira a presença de grupos armados nas protestas de camponeses e seguidores do ex-presidente Evo Morales, que marcham em direção à capital para exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz. O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, afirmou que as autoridades identificaram “grupos que passaram ao uso de armas”, o que gerou preocupação.

Gálvez mencionou especificamente Bernabé G.P., ex-funcionário do Ministério da Defesa, que agora atua como “presidente do comitê de conflito” dos Ponchos Rojos, uma facção de camponeses aimaras do altiplano de La Paz considerada radical e que tradicionalmente exibe armas antigas em suas manifestações. O porta-voz mostrou um vídeo que circula nas redes sociais no qual cerca de vinte supostos membros dos Ponchos Rojos aparecem em uma estrada andina exibindo armas e gritando “agora sim, guerra civil”. Segundo Gálvez, o ex-funcionário teria instado os manifestantes a se juntarem à marcha “com todas as armas possíveis”.

O vice-ministro de Regime Interior, Hernán Paredes, classificou a mobilização como “um intento do ex-presidente Evo Morales de voltar ao governo da maneira mais antidemocrática que se pode imaginar”. Paredes afirmou que a marcha, que chegou no domingo a El Alto após seis dias de caminhada, tem “fins conspirativos” e está “no limite da legalidade”. Ele estimou o número de manifestantes em “pouco mais de 10.000 pessoas” e advertiu que serão sancionados e detidos aqueles que causarem danos à propriedade pública.

A marcha, que desce de El Alto para La Paz, é composta por diversos setores sociais e camponeses, incluindo os Ponchos Rojos. O presidente Rodrigo Paz chegou nesta manhã à Casa Grande del Pueblo, sede do Executivo, enquanto a praça Murillo amanheceu cercada por cordões policiais e barricadas. As manifestações contam com o apoio da Central Obrera Boliviana (COB) e da Federação de Camponeses de La Paz Tupac Katari, enquanto outros setores, como mineradores cooperativistas e professores, alcançaram acordos com o governo.

O conflito se concentra principalmente no departamento de La Paz, onde os camponeses mantêm bloqueios de estradas há 13 dias. Também há cortes de rotas nas regiões de Oruro, Cochabamba e Chuquisaca.