Neste sábado (16), a operação militar e policial para desbloquear rodovias no departamento de La Paz resultou em 47 pessoas detidas e cinco feridas. Os detidos estão nas cidades de La Paz e El Alto, e a instituição monitora a situação para garantir assistência jurídica. Entre os feridos, há cidadãos com lesões oculares e faciais que receberam atendimento médico.
Também foram denunciadas agressões a jornalistas durante a cobertura dos protestos. A Associação Nacional da Imprensa (ANP) afirmou que dois repórteres de canais locais de TV foram atacados no setor de Lipari, no sul de La Paz, onde manifestantes os retiveram com violência e destruíram um telefone celular. A ANP classificou o ataque como uma “emboscada organizada”.
A Defensoria registrou ainda “situações de confronto entre setores mobilizados e moradores” em diversos pontos de bloqueio, além de “impactos humanitários” decorrentes dos 11 dias de paralisação. A entidade recebeu denúncias de possíveis violações de direitos humanos durante os operativos, que estão em verificação.
Foi reiterado o apelo ao diálogo e informado que a Defensoria avalia, com a Igreja Católica, a criação de um espaço para redução da escalada do conflito e reconciliação. A Central Obrera Boliviana (COB) e a Federação de Camponeses de La Paz “Tupac Katari” lideram as manifestações, exigindo a renúncia do presidente Luis Arce, a quem acusam de não resolver os problemas do país.
A operação conjunta visava desobstruir as principais rodovias que ligam La Paz ao resto do país e abrir um “corredor humanitário” para caminhões com combustíveis e oxigênio medicinal. No entanto, houve resistência em áreas como Río Seco, em El Alto, onde manifestantes usaram pedras e dinamite contra gases lacrimogêneos. A rodovia troncal para Oruro foi parcialmente liberada, mas o governo ordenou a retirada de policiais e militares para evitar “derramamento de sangue”.