Governadores rebatem acusações de Núñez e criticam vulgaridade em disputa sobre verbas e 2028

Governadores das 15 administrações coloradas do G15, que receberam G. 1,6 trilhão entre janeiro e agosto, exigiram provas das acusações de Carlos Núñez sobre verbas do Hambre Cero, criticaram a vulgaridade de suas declarações e defenderam o papel dos departamentos, enquanto lideranças de Honor Colorado discutem a chapa de 2028 e afirmam que o movimento está unido.

Governadores rebatem acusações de Núñez e criticam vulgaridade em disputa sobre verbas e 2028

O senador Carlos Núñez Agüero propôs reduzir as verbas das governadorias no Orçamento Geral da Nação de 2027 e destinar mais recursos à compra de medicamentos. A sugestão veio acompanhada de acusações de uso irregular do dinheiro do Hambre Cero, programa de alimentação escolar, e provocou uma resposta dos governadores, que cobraram provas e criticaram a vulgaridade das declarações.

Em sessão do Senado em 24 de setembro, Núñez questionou a qualidade das refeições oferecidas a estudantes e acusou governadores de se apropriar de recursos públicos. Defendeu que o dinheiro cortado fosse direcionado a hospitais e centros de saúde, onde, disse, faltam medicamentos para pacientes de baixa renda. As falas não foram acompanhadas, nos relatos publicados, de casos específicos que comprovem as acusações.

Entre janeiro e agosto de 2026, as 15 governadorias coloradas que formam o chamado G15 receberam 1,6 trilhão de guaranis, principalmente por transferências ligadas ao Hambre Cero. O valor se refere a essas 15 administrações departamentais, não ao conjunto das governadorias do país.

Em carta aberta, o Conselho de Governadores exigiu que Núñez apresentasse nomes e elementos que sustentassem as acusações. O grupo afirmou que eventuais irregularidades devem ser investigadas e os responsáveis punidos, mas que os governadores não pedem imunidade aos controles. Também respondeu ao tom do senador: “A política pode ser firme sem ser vulgar; a divergência pode ser contundente sem ser irresponsável”. A carta acrescentou que o Paraguai se constrói a partir dos departamentos.

Marcelo Soto, governador de Caaguazú, atribuiu as declarações a interesses eleitorais. Ele afirmou que Núñez atacava possíveis rivais diante das disputas internas pelas candidaturas e pela renovação de cadeiras nas eleições partidárias de 2027. Soto disse que os governadores respeitam a liderança de Horacio Cartes, ex-presidente e líder de Honor Colorado, mas querem participar das decisões do movimento. Também rejeitou a ideia de que a resistência a determinadas candidaturas busque enfraquecer a facção.

A disputa ocorre antes da definição da chapa para as eleições gerais de 2028. César Sosa, governador de Guairá e presidente do Conselho de Governadores, mantém interesse em disputar a vice-presidência ao lado de Pedro Alliana; o presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, também é citado nas articulações. O senador colorado Antonio Barrios afirmou que Cartes escolheu Alliana e o ministro da Habitação, Juan Carlos Baruja, para a chapa e que Honor Colorado segue essa orientação. Barrios também negou divisões internas e disse que o movimento está unido em torno da campanha para as eleições municipais.

Núñez já havia acusado governadores de irregularidades no Hambre Cero em abril de 2026 e pedido à Controladoria-Geral da República, chefiada por Camilo Benítez, auditorias nas administrações departamentais, começando por Guairá. Na ocasião, Sosa negou irregularidades e desafiou o senador a formalizar a denúncia.

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Fontes (4)

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