Helen Clark alerta que mundo ainda não aprendeu lições de pandemia apesar de respostas melhores

Ex-primeira-ministra neozelandesa e copresidente do Painel Independente de Preparação e Resposta a Pandemias afirma que surtos de hantavírus e ebola mostram falta de consciência sobre riscos pandêmicos, mesmo com avanços nas respostas.

Helen Clark alerta que mundo ainda não aprendeu lições de pandemia apesar de respostas melhores
Helen Clark alerta que mundo ainda não aprendeu lições de pandemia apesar de respostas melhores

Genebra – A ex-primeira-ministra da Nova Zelândia e copresidente do Painel Independente de Preparação e Resposta a Pandemias, Helen Clark, afirmou que os recentes surtos de hantavírus e ebola revelam que o mundo ainda não internalizou plenamente os riscos de uma pandemia, apesar de melhorias na resposta a crises sanitárias. A declaração foi feita durante a Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, no dia 19 de maio de 2026.

Mais de seis anos após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar a pandemia de covid-19, Clark avaliou que as reformas globais na resposta a emergências de saúde pública tiveram impacto positivo na reação aos surtos atuais. “As novas normas sanitárias estão funcionando”, disse à AFP. Ela citou como exemplo a rápida ativação de alertas para o ebola na República Democrática do Congo (RDC) e para o hantavírus no navio de cruzeiro MV Hondius, no Oceano Atlântico.

Contudo, Clark ressaltou que o problema vai além da reação imediata. “Nosso problema agora está muito além disso”, afirmou, defendendo maior investimento em conhecimento sobre riscos e preparação. “Tópicos básicos de vigilância, detecção precoce… ainda não estamos nisso”, completou.

A ex-primeira-ministra destacou que a cepa de hantavírus responsável pelo surto no cruzeiro, que matou três pessoas, era conhecida como endêmica na região da Argentina de onde o navio partiu. “Mas não temos clareza sobre quanto os navios que partem regularmente dali sabiam disso”, questionou.

Já o surto de ebola da cepa Bundibugyo na RDC, que teria matado mais de 130 pessoas, passou despercebido por semanas porque os testes realizados buscavam outra cepa e davam negativo. “Como isso pôde acontecer por quatro a seis semanas, espalhando-se sem termos os resultados necessários para demonstrar que se tratava de uma variante específica?”, indagou Clark, pedindo investigação sobre a cadeia de eventos.

Ela também alertou para o impacto dos cortes na ajuda global sobre a prevenção de doenças. “Há uma tempestade perfeita”, disse, lembrando que países mais pobres foram subitamente instados a aumentar investimentos em saúde que antes vinham de doadores. “Com a melhor vontade do mundo, os países mais empobrecidos e frágeis simplesmente não têm dinheiro no banco para fazer isso”, afirmou.

Clark concluiu defendendo a solidariedade global como essencial. “Estamos falando de bens públicos mundiais. Já temos um caso confirmado de ebola em um cidadão americano que se infectou na RDC, e o hantavírus apareceu em lugares onde desembarcaram pessoas do navio. Estamos juntos nisso”, finalizou.