O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta terça-feira (19) que o número de casos suspeitos de ebola no nordeste da República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda já ultrapassa 500, com 130 mortes suspeitas. Durante a 79ª Assembleia Mundial da Saúde, Tedros expressou “profunda preocupação com a magnitude e a velocidade da epidemia”, destacando que a cepa responsável, a Bundibugyo, não conta com vacina ou tratamento aprovados.
Até o momento, 30 casos foram confirmados na província congolesa de Ituri, além de dois casos confirmados em Kampala, capital de Uganda, ambos provenientes da RDC. Um cidadão americano infectado foi evacuado para a Alemanha. Tedros alertou que “casos foram notificados em áreas urbanas, como Kampala e a cidade de Goma”, o que eleva o risco de propagação e dificulta a contenção do vírus.
O diretor-geral também informou que “houve mortes entre trabalhadores de saúde, indicando transmissão associada ao atendimento médico”. A região de Ituri enfrenta “grande insegurança” devido ao recrudescimento do conflito desde o final de 2025, com mais de 100 mil pessoas deslocadas. “Já sabemos o que significa o deslocamento durante surtos de ebola”, disse Tedros, lembrando que a ausência de vacina exige medidas como comunicação de riscos e engajamento comunitário.
A OMS liberou US$ 3,4 milhões (cerca de € 2,9 milhões) para o combate ao surto, elevando o total de fundos disponibilizados para US$ 3,9 milhões (aproximadamente € 3,4 milhões). Tedros agradeceu ao governo de Uganda por ter adiado as celebrações do Dia dos Mártires, que poderiam reunir até dois milhões de pessoas, devido ao risco da epidemia.
O porta-voz do governo congolês, Patrick Muyaya, informou que 435 casos e 118 mortes suspeitas foram detectados nas províncias de Ituri e Kivu Norte, com duas novas zonas sanitárias — Katwa e Goma — sendo incluídas entre as afetadas. “Nossas equipes estão trabalhando para identificar casos suspeitos. Esses casos ainda estão sendo analisados para determinar se estão realmente ligados ao vírus”, declarou Muyaya, pedindo calma à população e recomendando evitar contatos físicos e consumir carne mal cozida.
O grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23), que controla áreas de Kivu Norte e Kivu Sul, afirmou ter identificado 189 contatos e enviado amostras ao Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB). “Dos resultados disponíveis, cinco são negativos, enquanto o restante aguarda análise”, disse o porta-voz Lawrence Kanyuka, acrescentando que “no momento há apenas um caso confirmado nas zonas liberadas, que está sendo tratado em Goma”.
A taxa média de letalidade do ebola é de cerca de 50%. Os sintomas iniciais incluem febre, cansaço, dores musculares e de cabeça, seguidos de vômitos, diarreia, dor abdominal e sinais de insuficiência renal e hepática. A RDC, que declarou o fim do último surto de ebola em Kasai em dezembro de 2025, é considerada o país com mais experiência no manejo do vírus, tendo enfrentado mais de uma dúzia de surtos desde sua identificação em 1976.