OMS declara emergência internacional por surto de ebola na República Democrática do Congo

A Organização Mundial da Saúde declarou neste domingo uma emergência de saúde pública de importância internacional devido a um surto de ebola causado pela cepa Bundibugyo, que já matou 88 pessoas na República Democrática do Congo e se espalhou para Uganda. A falta de vacina e tratamento específico para essa variante, aliada à instabilidade na região de Goma, controlada pelo grupo armado M23, acendeu o alerta global.

OMS declara emergência internacional por surto de ebola na República Democrática do Congo
OMS declara emergência internacional por surto de ebola na República Democrática do Congo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou neste domingo (17) uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) devido a um surto de ebola causado pela cepa Bundibugyo, que atinge gravemente a República Democrática do Congo (RDC) e já se estendeu a Uganda. A decisão foi anunciada pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que afirmou que a epidemia ainda não atende aos critérios para uma emergência pandêmica, mas representa um risco significativo de propagação regional.

Até o momento, os Centros Africanos para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC África) registraram 88 mortes e 336 casos suspeitos da doença. O temor de uma expansão maior aumentou após a confirmação de um caso positivo em Goma, cidade estratégica atualmente controlada pelo grupo armado M23. Segundo Jean-Jacques Muyembe, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB) da RDC, a paciente é a esposa de um homem que morreu de ebola em Bunia e viajou para Goma já infectada.

O ministro da Saúde da RDC, Samuel-Roger Kamba, alertou que a cepa Bundibugyo não possui vacina nem tratamento específico, e sua taxa de letalidade pode chegar a 50%. Apenas a cepa Zaire, identificada em 1976, conta com vacinas disponíveis, mas sua taxa de mortalidade é ainda mais alta, variando de 60% a 90%.

O foco inicial do surto está na província de Ituri, no nordeste do país, uma região de fronteira com Uganda e Sudão do Sul, marcada por intensa atividade mineradora e violência armada. A OMS estima que o número real de infectados pode ser muito maior do que o notificado, devido às dificuldades de acesso e à baixa capacidade de testagem laboratorial.

“Há duas semanas estamos vendo pessoas morrerem. Não há lugar para isolar os doentes. Eles estão morrendo em casa e seus familiares cuidam dos corpos”, relatou Isaac Nyakulinda, representante da sociedade civil local, em entrevista à AFP.

Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou que prepara uma resposta em larga escala, enquanto a OMS já enviou cinco toneladas de insumos médicos para a região. O governo congolês e os CDC África convocaram uma reunião urgente com agências de controle de doenças dos Estados Unidos, China e União Europeia para reforçar a vigilância nas fronteiras.

Este é o 17º surto de ebola na RDC. A doença, que já matou cerca de 15 mil pessoas na África nos últimos 50 anos, continua a representar um desafio sanitário e logístico significativo, especialmente em áreas de conflito.