Autoridades do Ministério da Saúde Pública (MSPBS) e do Instituto de Previsão Social (IPS) formalizaram ontem mesas de trabalho para expandir o modelo de “hospitais integrados” a diversas zonas do interior do país. A iniciativa busca otimizar infraestrutura, equipamentos e recursos humanos, ampliando a cobertura sanitária tanto para segurados quanto para não segurados.
O modelo, que já tem como referência o Hospital Integrado de Ayolas (Misiones), prevê o compartilhamento de espaços físicos, tecnologias médicas de diagnóstico e pessoal especializado, como terapistas e cirurgiões pediátricos. O diretor de Redes e Serviços de Saúde Pública, Gustavo Ortiz, explicou que a integração visa resolver a escassez de especialistas, unificando as planilhas disponíveis em cada região para cobrir turnos e guardias de forma mais eficiente.
Diferentemente de convênios implementados durante a pandemia de Covid-19, que geraram dívidas financeiras acumuladas, o novo esquema prevê um mecanismo de compensação baseado em serviços, não em transações monetárias diretas. “Se está prevendo bem nas cláusulas. Esse mecanismo de compensação se realizaria através de um estudo pormenorizado de tudo o que implica a prestação”, afirmou Ortiz.
As áreas de farmácia e laboratório manterão gestão autônoma, para resguardar os fundos previsionais e os orçamentos próprios de cada entidade. Em situações de emergência ou desabastecimento, uma instituição deverá cobrir a demanda da outra imediatamente.
A Associação Nacional de Segurados do IPS vê com bons olhos a coordenação, mas impõe condições de transparência e participação ativa no monitoramento. O presidente Julio López afirmou: “Nós colocamos como condição para que funcione que se dê no marco de uma transparência e que o processo seja participativo, fundamentalmente com os organismos gremiais representantes dos segurados.” A associação teme que a infraestrutura do IPS, financiada exclusivamente por trabalhadores e empregadores, seja absorvida pela demanda geral sem a devida retribuição.
As mesas técnicas definiram uma agenda de expansão prioritária para este ano, incluindo zonas como Concepción, San Pedro, Caaguazú, Itapúa, Alto Paraná, Central e Cordillera. O foco está na otimização dos serviços de diagnóstico, consolidação das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) pediátricas e de adultos, e ampliação da capacidade de absorção de pacientes de alta complexidade.
Os segurados ressaltam que os centros integrados vigentes ainda enfrentam problemas como desabastecimento de insumos e demora na marcação de consultas, e que a integração por si só não resolve os problemas de fundo sem reformas administrativas internas.