Senado paraguaio volta a enfrentar falta de quórum e pedidos de multa para retardatários

A falta de quórum no início da sessão ordinária do Senado forçou nova convocação extraordinária, gerando protestos de oposicionistas que pedem sanções para colegas que chegam atrasados. O senador Walter Kobilansky propôs multas, mas o presidente da Casa afirmou que o regimento não prevê penalidades por atraso.

Senado paraguaio volta a enfrentar falta de quórum e pedidos de multa para retardatários
Senado paraguaio volta a enfrentar falta de quórum e pedidos de multa para retardatários

Pela enésima vez, o Senado paraguaio não conseguiu formar quórum no horário previsto para a sessão ordinária de quarta-feira, repetindo um padrão já observado na Câmara dos Deputados. Diante da ausência de parlamentares, a Mesa Diretora convocou uma sessão extraordinária, medida que, segundo críticos, serve para evitar o debate de temas polêmicos.

O senador Walter Kobilansky, do partido Cruzada Nacional, foi o mais enfático ao cobrar punições. “Para dar mais rigor, já que exigimos da sociedade que cumpra as regras sob pena de multa, temos que ser sérios. Proponho uma decisão salomônica: quem não chegar na hora perde o direito de se inscrever”, declarou. A sugestão, no entanto, foi rejeitada pelo presidente do Congresso, que afirmou que “não existe no regimento a possibilidade de multar um senador por chegadas tardias”.

O senador Rafael Filizzola defendeu responsabilidade: “Se não há motivo político que impeça a formação de quórum, é preciso agir com responsabilidade e realizar a sessão”. Já Dionisio Amarilla minimizou o ocorrido, classificando a manobra como “estratégia legislativa”. “Cada um representa seu setor e, dependendo do interesse do tema, fica ou não na sessão. Não sei por que tanto escândalo”, afirmou.

No ano passado, a senadora Yolanda Paredes, também do Cruzada Nacional, já havia exigido multas e sanções para os colegas que não comparecem pontualmente. Na ocasião, ela criticou abertamente a prática: “Chegam na hora que bem entendem, como patinhos, um atrás do outro. É uma vergonha”. Paredes lembrou que os parlamentares recebem salários elevados — cerca de 38 milhões de guaranis mensais entre dieta e gastos de representação, após um aumento de 15,6% em relação ao ano anterior, aprovado com o aval do presidente Santiago Peña — e gozam de seguro médico e aposentadoria VIP, privilégios que alimentam as críticas ao Legislativo.