O Paraguai está vivenciando uma transformação em seu fluxo migratório. Historicamente receptor de jovens brasileiros que cruzavam a fronteira para estudar medicina, o país agora se consolida como destino de um perfil mais corporativo e familiar. Investidores, pequenos e médios empreendedores e aposentados lideram essa nova onda, atraídos por um ambiente de negócios considerado mais livre, com baixa carga tributária e condições favoráveis para novos empreendimentos.
Ciudad del Este se firmou como o epicentro desse movimento. A cidade concentra os trâmites de residência e nacionalização, e a demanda crescente chegou a sobrecarregar temporariamente os escritórios de Migrações de Alto Paraná. Relatos indicam filas e esperas de horas ou até dias para iniciar a regularização documental.
Dados da própria repartição migratória mostram a guinada: até recentemente, cerca de 80% dos interessados eram estudantes universitários, com forte predominância das ciências médicas. Agora, o fluxo é composto majoritariamente por empresários e aposentados que não buscam formação, mas sim investir, instalar indústrias ou proteger economias de aposentadoria sob um esquema macroeconômico que oferece previsibilidade.
A assimetria fiscal entre Brasil e Paraguai é um dos principais motores. A estrutura tributária mais leve do lado paraguaio funciona como ímã para capitais privados em busca de estabilidade financeira, facilidade para abrir empresas e menor fiscalização sobre ativos.
O fenômeno, contudo, abre debates. Se por um lado a injeção de capital estrangeiro aquece o mercado imobiliário, o consumo e o investimento produtivo, por outro, impõe desafios ao Estado paraguaio. Especialistas e autoridades apontam a necessidade de reforçar o controle migratório, a absorção no mercado de trabalho formal e a capacidade dos serviços públicos locais para assimilar a nova massa demográfica.