O número de brasileiros solicitando residência temporária ou permanente no Paraguai mais que dobrou nos últimos cinco anos, segundo dados oficiais da Direção Nacional de Migrações. Em 2020, ano da pandemia, foram registrados 10.039 pedidos. Em 2025, o total chegou a 23.526 — sendo 18.903 temporários e 4.623 permanentes. Apenas no primeiro trimestre de 2026, já foram contabilizadas 9.195 solicitações.
O movimento, antes restrito a compras pontuais em Ciudad del Este ou Pedro Juan Caballero, agora configura um fenômeno demográfico de maior escala, com tendência a se consolidar. De acordo com reportagem da emissora britânica BBC, os brasileiros que escolhem o Paraguai são motivados por “posturas políticas e a busca de uma vida mais cômoda com impostos mais baixos”. Influenciadores do país vizinho destacam as vantagens de residir em território paraguaio.
“99% dos que vêm são de direita”, afirmou Roberta Viegas, natural do Rio de Janeiro e residente no Paraguai há um ano, em entrevista à BBC. A identificação com a posição política do presidente Santiago Peña, que assumiu em agosto de 2023, é um dos fatores citados.
O principal atrativo, porém, é a carga tributária reduzida. Enquanto no Paraguai o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), o Imposto sobre a Renda Empresarial (IRE) e o Imposto sobre a Renda Pessoal (IRP) são todos de 10%, no Brasil o IVA deve superar 25% até 2033, e o imposto de renda varia entre 7,5% e 27,5%. O regime de maquila também é apontado como fator relevante, permitindo importar matérias-primas com benefícios, agregar valor localmente e exportar com isenções.