O doutor em criminologia Juan Martens apresentou os resultados de uma investigação de sete anos baseada em trabalho etnográfico com integrantes da Polícia Nacional do Paraguai, apontando a existência de presuntas redes de comercialização de cursos, certificados e benefícios internos na instituição.
Em entrevista à emissora 1080 AM, o especialista afirmou que identificou mecanismos informais de negociação em processos administrativos e formativos, como os cursos exigidos para ascensos de suboficiales. Segundo ele, seria oferecido um "pacote completo" que incluiria a falsificação de presenças, a elaboração de trabalhos práticos e a obtenção da certificação sem que o policial cumpra efetivamente a formação.
Martens criticou a falta de controles efetivos no Instituto Superior de Educação Policial (ISEP), instituição com status universitário responsável pela formação superior dos agentes. Ele argumentou que essa falha permite a consolidação de práticas que resultam em policiais com títulos que não refletem suas competências reais.
O investigador também mencionou que esquemas similares de incentivos econômicos informais poderiam ocorrer em outras áreas, como postos de controle fronteiriço, repartições de identificação e designações operacionais. A pesquisa contou com a colaboração de policiais, muitos dos quais permaneceram anônimos por questões de segurança, com o objetivo de evidenciar problemas estruturais que afetam a profissionalização e a confiança pública na instituição.
