Teve início nesta segunda-feira (29) o julgamento oral e público contra o ex-prefeito de Lambaré, Armando Ramón Gómez Arévalo (PLRA), e outros ex-funcionários municipais acusados de integrar um suposto esquema criminoso de desvio de arrecadações provenientes do pagamento de impostos municipais. O Tribunal de Sentença Especializado em Delitos Econômicos, presidido pela juíza Adriana Planas e integrado por Elsa García e Matías Garcete, analisa as provas apresentadas pelas partes.
A acusação do Ministério Público sustenta que o esquema operava por meio de anulações irregulares de faturas de pagamento de impostos, realizadas fora do horário de expediente e com o uso de usuários não autorizados no sistema informático da prefeitura. O objetivo seria reter temporariamente os depósitos das arrecadações diárias e remetê-lados tardiamente às entidades bancárias, de modo a burlar controles administrativos e alterar registros contábeis.
Segundo a investigação, as irregularidades ocorreram entre 24 de janeiro e 25 de outubro de 2019. Foram identificadas 5.538 anulações irregulares no valor de G. 6.866.903.957. Ao somar anulações feitas a partir de diferentes usuários do sistema — identificados como "ivillalba", "check", "jinfran", "rchirife" e "rricciardi" —, o total chega a 6.390 anulações, correspondendo a um prejuízo patrimonial estimado em G. 9.317.065.062 à municipalidade.
Ao lado de Gómez, respondem ao julgamento o ex-diretor de Administração e Finanças Roberto Ever Paredes Ojeda, o ex-chefe do Departamento de Tesouraria Rodrigo Javier Portillo Chirife, o ex-diretor interino da Direção de Gestão Tecnológica Edgar Iván Villalba Torreblanca e o ex-funcionário do mesmo departamento Ricardo Ronald Ricciardi. Eles são acusados de hurto, alteração de dados relevantes para a prova, estelionato mediante sistemas informáticos e associação criminosa.
A teoria fiscal descreve um mecanismo no qual Portillo Chirife, como tesoureiro, repassava as arrecadações diárias a Paredes Ojeda, que indicava os valores a serem subtraídos por dia. Esses montantes eram então encaminhados a Villalba Torreblanca para que procedesse à anulação das faturas no sistema. Os depósitos bancários eram realizados com atrasos deliberados, fracionados em diferentes dias, para dificultar a conciliação entre o arrecadado e o efetivamente depositado.
O início do julgamento havia sido adiado quatro vezes desde dezembro de 2025. A última reprogramação ocorreu na terça-feira (23 de junho), devido ao repouso médico do acusado Portillo Chirife. Na primeira audiência, as defesas questionaram a competência do tribunal e apresentaram incidentes de nulidade parcial da acusação, prescrição de alguns fatos e inclusão e exclusão de provas. O Ministério Público, representado pelo fiscal Luis Piñanez, deverá responder aos questionamentos na próxima sessão, marcada para quarta-feira (1º de julho), às 11h30.
