Julgamento de ex-prefeito de Lambaré por desvio de arrecadação milionária começa após adiamentos

Começou nesta segunda-feira (29) o julgamento do ex-prefeito de Lambaré, Armando Ramón Gómez Arévalo, e de outros quatro ex-funcionários municipais acusados de desviar cerca de G. 9,3 bilhões por meio de anulações irregulares de faturas de impostos em 2019, após quatro adiamentos desde dezembro de 2025.

Julgamento de ex-prefeito de Lambaré por desvio de arrecadação milionária começa após adiamentos
Ilustração gerada por IA.

Teve início nesta segunda-feira (29) o julgamento oral e público contra o ex-prefeito de Lambaré, Armando Ramón Gómez Arévalo (PLRA), e outros ex-funcionários municipais acusados de integrar um suposto esquema criminoso de desvio de arrecadações provenientes do pagamento de impostos municipais. O Tribunal de Sentença Especializado em Delitos Econômicos, presidido pela juíza Adriana Planas e integrado por Elsa García e Matías Garcete, analisa as provas apresentadas pelas partes.

A acusação do Ministério Público sustenta que o esquema operava por meio de anulações irregulares de faturas de pagamento de impostos, realizadas fora do horário de expediente e com o uso de usuários não autorizados no sistema informático da prefeitura. O objetivo seria reter temporariamente os depósitos das arrecadações diárias e remetê-lados tardiamente às entidades bancárias, de modo a burlar controles administrativos e alterar registros contábeis.

Segundo a investigação, as irregularidades ocorreram entre 24 de janeiro e 25 de outubro de 2019. Foram identificadas 5.538 anulações irregulares no valor de G. 6.866.903.957. Ao somar anulações feitas a partir de diferentes usuários do sistema — identificados como "ivillalba", "check", "jinfran", "rchirife" e "rricciardi" —, o total chega a 6.390 anulações, correspondendo a um prejuízo patrimonial estimado em G. 9.317.065.062 à municipalidade.

Ao lado de Gómez, respondem ao julgamento o ex-diretor de Administração e Finanças Roberto Ever Paredes Ojeda, o ex-chefe do Departamento de Tesouraria Rodrigo Javier Portillo Chirife, o ex-diretor interino da Direção de Gestão Tecnológica Edgar Iván Villalba Torreblanca e o ex-funcionário do mesmo departamento Ricardo Ronald Ricciardi. Eles são acusados de hurto, alteração de dados relevantes para a prova, estelionato mediante sistemas informáticos e associação criminosa.

A teoria fiscal descreve um mecanismo no qual Portillo Chirife, como tesoureiro, repassava as arrecadações diárias a Paredes Ojeda, que indicava os valores a serem subtraídos por dia. Esses montantes eram então encaminhados a Villalba Torreblanca para que procedesse à anulação das faturas no sistema. Os depósitos bancários eram realizados com atrasos deliberados, fracionados em diferentes dias, para dificultar a conciliação entre o arrecadado e o efetivamente depositado.

O início do julgamento havia sido adiado quatro vezes desde dezembro de 2025. A última reprogramação ocorreu na terça-feira (23 de junho), devido ao repouso médico do acusado Portillo Chirife. Na primeira audiência, as defesas questionaram a competência do tribunal e apresentaram incidentes de nulidade parcial da acusação, prescrição de alguns fatos e inclusão e exclusão de provas. O Ministério Público, representado pelo fiscal Luis Piñanez, deverá responder aos questionamentos na próxima sessão, marcada para quarta-feira (1º de julho), às 11h30.

Fontes (4)

Atualizado: 30 de jun. de 2026, 01:30