O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que o risco do surto de ébola é “alto” na República Democrática do Congo (RDC) e Uganda, bem como em nível regional, mas manteve a classificação global como “baixa”. Em coletiva de imprensa, Tedros lembrou que no domingo (20) declarou uma emergência de saúde pública de importância internacional (ESPII) com base no Artigo 12 do Regulamento Sanitário Internacional (RSI), após consultar os ministros da Saúde dos dois países africanos.
“Tomei essa medida em conformidade com o RSI, diante da necessidade de agir com urgência”, afirmou Tedros. Ele esclareceu, no entanto, que a situação não configura uma emergência pandêmica, a classificação mais alta prevista pelo regulamento. O Comitê de Emergência da OMS, reunido na segunda-feira (21), concordou com a decisão.
Até o momento, foram confirmados 51 casos na RDC, nas províncias setentrionais de Ituri e Kivu do Norte, incluindo as cidades de Bunia e Goma. “Sabemos que a magnitude da epidemia na RDC é muito maior”, acrescentou Tedros. Uganda reportou dois casos confirmados na capital, Kampala, entre pessoas que viajaram da RDC, incluindo um óbito. Também foi notificado o caso de um cidadão americano que trabalhava na RDC e testou positivo, sendo transferido para a Alemanha para tratamento.
“Existem vários fatores que justificam uma séria preocupação com o potencial de maior propagação e mais mortes”, destacou Tedros. Além dos casos confirmados, há quase 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas. “Prevemos que esses números continuarão a aumentar, dado o tempo que o vírus circulou antes da detecção do surto.”
O surto é causado pelo vírus Bundibugyo, uma cepa do ébola para a qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados. A OMS informou que o desenvolvimento de possíveis vacinas deve levar entre seis e nove meses, segundo o médico Vasee Moorthy. A presidente do Comitê de Emergência, Lucille Blumberg, enfatizou a urgência de mobilizar recursos, pessoal adicional e impulsionar a pesquisa de contramedidas.
A OMS já desembolsou US$ 3,9 milhões do Fundo de Contingência para Emergências, sendo US$ 3,4 milhões aprovados nesta semana. A organização mantém uma equipe no terreno apoiando as autoridades nacionais com pessoal, suprimentos e equipamentos. A doutora Anaïs Legand destacou a prioridade de estabelecer uma plataforma de resposta com centros de tratamento seguros e vias adequadas de referência de pacientes.
Em relação a restrições de viagem, o médico Abdirahman Mahamud recomendou o rastreamento de contatos, isolamento e a não movimentação de casos suspeitos, além dos controles já implementados nos pontos de saída da RDC e Uganda.