Mensagens relacionam a vice-ministra de Comunicação Alejandra Duarte a saques e operações da Azafrán e da Prana

Mensagens de WhatsApp entregues para perícia e examinadas em uma reportagem relacionam a vice-ministra de Comunicação Alejandra Duarte a saques em dinheiro, operações da Azafrán e da Prana e à criação de linhas usadas por páginas da chamada La Red Desinformante. Os registros não estabelecem a finalidade, a legalidade ou eventual responsabilidade criminal ligada aos pagamentos.

Mensagens relacionam a vice-ministra de Comunicação Alejandra Duarte a saques e operações da Azafrán e da Prana

Conversas de WhatsApp entregues para perícia por Yecika Magle Bracho Atacho relacionam, segundo a reportagem, a vice-ministra de Comunicação Alejandra Duarte Albospino a retiradas de dinheiro e à operação das agências Azafrán SA e Prana SA, empresas associadas à criação de páginas da chamada La Red Desinformante. Os registros abrangem o período de 2021 a 2023, inclusive durante o governo de Santiago Peña.

Em 17 de novembro de 2021, Sergio Masero, representante da Azafrán, informou a Bracho que uma mulher havia retirado US$ 7.420 da agência. Posteriormente, a pessoa foi identificada como Duarte. Em dezembro daquele ano, novas conversas indicaram que ela voltaria ao escritório para realizar outras operações.

Outro episódio ocorreu em 27 de março de 2023, poucos dias antes das eleições nas quais Santiago Peña foi eleito. As mensagens inicialmente mencionavam que Duarte faria a retirada de US$ 6.700, mas indicam que Tatiana González Amaya, executiva colombiana da Azafrán e amiga de Duarte, acabou buscando o dinheiro. A cronologia é apresentada como indicação de um vínculo entre a Azafrán e a Prana, onde Duarte atuava como diretora digital.

As conversas também registram uma fatura de crédito emitida em 24 de maio de 2023 em nome da Prana, no valor de G. 330.000, por 20 chips telefônicos. O documento foi anulado depois que Masero pediu uma fotografia da fatura e Bracho respondeu que refaria o comprovante com “o conceito correto”. A Azafrán teria solicitado repetidamente a criação urgente de linhas telefônicas; duas delas foram criadas por Bracho e usadas pelas páginas Despierta Paraguay e Paraguay Elige.

Laura Leguizamón, diretora da Prana, afirmou que a empresa não tinha relação com as operações locais da Azafrán, embora tenha admitido colaboração por alguns anos em publicidade programática nas redes sociais.

O registro mais recente citado ocorreu em 24 de novembro de 2023, já no governo Peña. As mensagens indicam que seriam retirados US$ 1.300 em dinheiro, guardados em um cofre, e que Rita González faria a retirada e levaria a fatura posteriormente. María Rita González Samaniego é chefe de gabinete de Duarte no Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação (Mitic). Ela foi cedida pelo Conselho da Magistratura ao ministério em 1º de setembro de 2023, com autorização do ministro Gustavo Emigdio Villate Samaniego.

Os diálogos foram entregues por Bracho, ex-funcionária do advogado e assessor local da Azafrán, Gabriel Boero. A reportagem apresentou os registros como parte de uma investigação, mas as conversas, por si sós, não estabelecem a finalidade ou a legalidade dos pagamentos nem comprovam eventual responsabilidade criminal dos envolvidos. A comparação entre a cronologia dos saques, a fatura anulada, a atividade dos chips e os cargos institucionais dos envolvidos indica os pontos de conexão descritos nos registros, sem provar uma relação ilegal ou criminosa. As páginas associadas à La Red Desinformante teriam ampliado sua atividade após o episódio de novembro.

Compartilhar WhatsApp Facebook LinkedIn

Fontes (1)

Atualizado: 7 de set. de 2026, 08:08