Moradores de Mbocayaty denunciam paralisação de títulos para favorecer Grupo Vázquez em Assunção

Moradores do bairro Mbocayaty, em Assunção, denunciam a paralisação dos processos de titulação de terrenos pela prefeitura e pressão do Grupo Vázquez para comprar suas propriedades, levando vereadores a pedirem informações oficiais.

Moradores de Mbocayaty denunciam paralisação de títulos para favorecer Grupo Vázquez em Assunção

Moradores do bairro Mbocayaty, conhecido popularmente como La Piedad, em Assunção, denunciam que a prefeitura da capital paralisou abruptamente seus processos de titulação de terrenos, coincidindo com a chegada do Grupo Vázquez SAE à região. O conglomerado, presidido por Federico Miguel Vázquez, planeja construir um empreendimento imobiliário no local, e residentes afirmam existir uma estratégia para pressionar as famílias a venderem suas propriedades.

Maria Roque Sánchez, que vive no local há 50 anos, relata que, apesar de pagar impostos regularmente, seu imóvel permanece categorizado como "arrendado" desde 2000. Ela também recebeu visitas de um intermediário identificado como Gustavo Rojas, atuando em nome do Grupo Vázquez, oferecendo propostas de compra. Após recusar as ofertas, diz ter enfrentado ainda mais obstáculos na prefeitura.

Carlos González, outro residente há 34 anos, iniciou seu processo de titulação há 32 anos, mas não obteve respostas da administração municipal, liderada pelo prefeito Luis Bello, do Partido Colorado (ANR), facção cartista. Ele alega que funcionários evitam resolver a situação por se tratar de terrenos de grande valor.

Além das barreiras administrativas, há relatos de intimidação. Mirian Ramírez, ex-moradora, denunciou que seguranças privados, supostamente ligados ao Grupo Vázquez, invadiram sua casa, derrubaram paredes, removeram móveis e levaram dinheiro. Apesar da queixa na polícia e no Ministério Público, o caso não avançou, enquanto a Justiça a convocou para depor devido a uma acusação de "invasão de imóvel" movida por Rodolfo Manuel Fernández Almada, apontado como laranja do grupo empresarial.

Diante das denúncias, vereadores de oposição e dissidência na Câmara Municipal de Assunção solicitarão informações formais sobre a situação. O vereador Humberto Blasco, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), pedirá detalhes sobre a ocupação e regularização dos terrenos próximos ao projeto do Grupo Vázquez. Já Daniel Ortiz, dissidente da ANR, proporá um levantamento completo dos lotes municipais no bairro.

O vereador governista Miguel Sosa (ANR cartista), presidente da Comissão de Finanças, defendeu que a Câmara depende de relatórios técnicos das diretorias da prefeitura e que eventuais irregularidades são responsabilidade do Executivo municipal. Por sua vez, a prefeitura, através do diretor jurídico Jorge Sabaté, negou atrasos nos processos e afirmou que a decisão final sobre arrendamentos ou vendas cabe aos vereadores.

Moradores afirmam que cerca de 45 famílias estão sendo pressionadas a deixar o local, com pelo menos oito já tendo abandonado suas casas. Eles exigem transparência e agilidade nos processos de titulação, já que muitos vivem no bairro há décadas e investiram na infraestrutura local.

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Fontes (2)

Atualizado: 29 de jul. de 2026, 01:30