A maioria oficialista na Junta Municipal de Assunção aprovou um aumento de G. 4,5 bilhões para contratos de suprimentos da Direção de Vialidade, ignorando denúncias de desvio de materiais para obras privadas e críticas sobre sobrepreço. A decisão foi tomada em sessão na quarta-feira, após um empate que foi desfeito pelo voto de qualidade duplo do presidente do corpo legislativo, Arturo Almirón.
Concejais da oposição, como Pablo Callizo (PPQ), lembraram que há uma denúncia formal apresentada em 24 de junho, com fotos e vídeos que mostrariam funcionários municipais usando máquinas e insumos públicos para pavimentar um terreno particular. Callizo questionou por que o diretor de Vialidade, Nicolás Duarte, não compareceu para prestar esclarecimentos, como havia sido aprovado anteriormente pela Junta.
O edil Humberto Blasco (PLRA) alertou para um suposto sobrepreço nos contratos. Ele argumentou que os produtos são importados e que a cotação do dólar caiu cerca de 25%, mas a prefeitura mantém o preço de compra calculado a G. 7.500 por dólar, quando a taxa atual é de aproximadamente G. 5.900. Blasco classificou a aprovação da ampliação sem o reajuste como um "presente para os contratistas" e um "dano patrimonial" ao município.
Os contratos ampliados beneficiam principalmente a empresa Materiales Asfálticos SA, que receberá um adicional de G. 3,58 bilhões para fornecer cimento asfáltico e emulsão asfáltica. A Ortellado Toniolo SA terá um acréscimo de G. 225 milhões para a venda de mistura asfáltica a frio. A aprovação ocorre em um contexto de críticas à gestão do diretor Duarte, que mantém o cargo apesar das denúncias e de seu parentesco com o concejal oficialista Nasser Esgaib.
