Moradores de Toro Pampa, no departamento de Alto Paraguay, enfrentam há quase um mês um isolamento angustiante, sem que nada nem ninguém consiga entrar ou sair da localidade por via terrestre. As chuvas intensas transformaram trechos da rota em grandes poças de água, cortando o caminho e deixando a comunidade praticamente incomunicável.
Com ferramentas manuais e motobombas, vizinhos e voluntários autodenominados "Metiches" trabalham para drenar as partes mais críticas da estrada. Para manter as operações, organizam coletas comunitárias e contam com o apoiode alguns pecuaristas da região, que colaboram principalmente com combustível. O Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) acompanha os trabalhos com uma quantidade limitada de máquinas, situação que revolta os habitantes.
Em Toro Pampa vivem pelo menos mil pessoas, que denunciam a falta de respostas das autoridades nacionais e departamentais, acusadas de silêncio diante da crise. Os moradores também questionam o desempenho das empresas contratadas para a manutenção vial. Segundo denúncias de vizinhos e transportistas, uma das firmas ainda não teria iniciado efetivamente os trabalhos comprometidos.
O comerciante e transportista de Bahía Negra Derlis Silva rejeitou as declarações da empresa Chaves Hausman, que atribuiu os atrasos às condições climáticas. "A natureza não tem culpa, isso é mentira. Essa empresa não tem maquinário. Faz meses que estamos denunciando isso", afirmou Silva. O transportista garantiu que as empresas deveriam ter iniciado oficialmente as obras no dia 5 de janeiro, após receberem importantes recursos econômicos meses antes, mas que até agora não há avanços concretos. "O povo precisa de soluções urgentes. Estamos isolados", reclamou.
O bispo do Vicariato Apostólico do Chaco, monsenhor Gabriel Escobar, lamentou a situação das comunidades afetadas, especialmente em Bahía Negra, onde os moradores dependem quase exclusivamente do transporte fluvial para se abastecer. As mercadorias chegam por pequenas embarcações, o que provoca forte aumento nos preços dos produtos básicos. A conectividade aérea tampouco é uma solução segura: o avião que chega uma vez por semana depende das condições climáticas, já que a pista de Bahía Negra não é asfaltada. Apenas Fuerte Olimpo conta com uma pista adequada para qualquer condição meteorológica. Além disso, o custo da passagem aérea ronda os G. 250.000, valor elevado para grande parte da população local.
Enquanto autoridades e empresas seguem sendo questionadas pela lentidão das respostas, são os próprios moradores que, com esforço e solidariedade, tentam recuperar a conexão terrestre e garantir o abastecimento básico de suas comunidades.