Paraguay encerrou maio como um dos países com menor Riesgo País da América Latina e do Caribe. Com um EMBI (Emerging Markets Bond Index) de 104 pontos básicos, o país ficou em terceiro lugar na região, atrás apenas do Uruguai (61 pontos) e do Chile (86 pontos), e à frente de economias de maior porte como Brasil (175), México (205) e Colômbia (240), segundo dados divulgados pela Bloomberg Línea com base no índice elaborado pelo J.P. Morgan.
O indicador reflete a percepção dos mercados internacionais sobre a capacidade de uma nação honrar suas obrigações financeiras. Na prática, o Riesgo País mede o custo adicional que um governo precisa pagar para se endividar em relação aos Estados Unidos, considerado o emissor de menor risco global. Quanto mais baixo o índice, maior a confiança dos investidores e menor tende a ser o custo de financiamento para o Estado e o setor privado.
A posição do Paraguai responde, em grande medida, à estabilidade macroeconômica que marcou o país nos últimos anos. O comportamento moderado de indicadores econômicos, a obtenção do Grau de Inversión e outros fatores contribuíram para fortalecer a percepção dos mercados, permitindo que o Paraguai se colocasse em situação mais favorável que a maioria dos países da região.
No entanto, o resultado exige uma leitura crítica. Um Riesgo País baixo não significa necessariamente que a economia tenha resolvido seus principais desafios estruturais. O Paraguai segue enfrentando limitações em infraestrutura, produtividade, capital humano e informalidade trabalhista. O EMBI mede a percepção de solvência financeira, mas não reflete de forma direta aspectos ligados ao desenvolvimento econômico, à qualidade dos serviços públicos ou ao nível de renda da população.
Parte do bom posicionamento paraguaio também se explica pela deterioração relativa de outros países latino-americanos. A Argentina fechou maio com Riesgo País de 494 pontos, apesar da compressão observada nos últimos meses, enquanto a Bolívia atingiu 576 pontos e a Venezuela permaneceu em patamares extremamente elevados, com 5.722 pontos. O Equador também registrou indicador significativamente superior ao paraguaio, com 415 pontos. Assim, a colocação do Paraguai no ranking regional responde tanto às suas fortalezas macroeconômicas quanto às dificuldades que atravessam várias economias da região.
A comparação com os líderes regionais também deixa elementos para análise. Embora o Paraguai apresente desempenho favorável, ainda existe uma brecha relevante em relação ao Uruguai e ao Chile, países que conseguiram sustentar por décadas maior estabilidade institucional, mercados financeiros mais profundos e acesso mais favorável ao financiamento internacional. A diferença entre os 104 pontos do Paraguai e os 61 pontos do Uruguai evidencia que ainda há margem para fortalecer a confiança dos investidores.
Nesse contexto, o desafio do Paraguai consiste em transformar a vantagem financeira em uma plataforma para impulsionar maiores níveis de investimento e crescimento. Manter um dos riscos país mais baixos da América Latina e do Caribe constitui um sinal positivo para os mercados, mas a verdadeira prova será aproveitar essa credibilidade para avançar em melhorias de competitividade, infraestrutura e produtividade que permitam convergir para os padrões das economias mais sólidas da região.