OMS declara emergência internacional por novo surto de ebola na República Democrática do Congo e Uganda

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de importância internacional devido a um surto de ebola causado pela cepa Bundibugyo, que já soma oito casos confirmados, 246 suspeitos e 80 mortes na província de Ituri, na RDC, além de dois casos em Kampala, Uganda, com uma morte. A medida não configura emergência pandêmica segundo o Regulamento Sanitário Internacional de 2005, mas exige coordenação global para conter a propagação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou neste sábado (17) uma emergência de saúde pública de importância internacional devido ao novo surto de ebola causado pelo vírus Bundibugyo, que afeta a República Democrática do Congo (RDC) e Uganda. A decisão foi tomada após consulta aos países afetados e inclui um anúncio de “emergência de saúde pública de importância internacional”, embora o comunicado ressalte que o surto ainda não atende aos critérios definidos no Regulamento Sanitário Internacional (RSI) de 2005.

Até sexta-feira, oito casos foram confirmados por laboratórios, 246 são considerados suspeitos e 80 mortes foram registradas na província de Ituri, no nordeste da RDC. Em Kampala, capital de Uganda, dois casos foram confirmados em um intervalo de 24 horas, incluindo um óbito, sem vínculo aparente entre eles. Dois dos casos em Uganda são de pessoas que viajaram da RDC, o que acendeu o alerta para a possibilidade de propagação internacional.

Os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças da África manifestaram preocupação com a intensa mobilidade populacional na região e convocaram uma reunião urgente de coordenação de alto nível com entidades regionais e internacionais, incluindo a OMS e os CDC dos Estados Unidos, da China e da Europa.

Na declaração, a OMS afirma que “requer coordenação e cooperação internacional para compreender a extensão do surto, coordenar medidas de vigilância, prevenção e resposta, ampliar e reforçar operações e garantir capacidade para aplicar medidas de controle”. A entidade também recomendou que os países afetados ativem seus mecanismos nacionais de gestão de desastres, estabeleçam centros de operações de emergência e envolvam líderes locais, religiosos e tradicionais, assim como curandeiros, para ajudar na identificação de casos, rastreamento de contatos e educação sobre os riscos.

O último surto na RDC ocorreu no final de 2025 na província de Kasai, no centro do país, e foi o décimo sexto desde a descoberta do vírus em 1976. O ebola tem taxa de mortalidade entre 60% e 80%, transmite-se por fluidos corporais e causa febre alta, fraqueza intensa e hemorragias severas.