Cinco pessoas foram detidas na cidade de San Ignacio, no departamento de Misiones, durante a Operação "Yida Transfronterizo", que investiga uma suposta organização criminosa dedicada a fraudes digitais, associação criminosa e lavagem de ativos por meio de criptomoedas. Os procedimentos, realizados na última segunda-feira, foram coordenados pelas agentes fiscais Ruth Karina Benítez e Diana Gómez, da Unidade Especializada em Crimes Informáticos do Ministério Público, com apoio de departamentos especializados da Polícia Nacional.
De acordo com a investigação, a rede recrutava vítimas por meio de falsas ofertas de trabalho publicadas no Facebook e Instagram, prometendo ganhos elevados por tarefas simples como classificar produtos para o mercado chinês. Após serem captadas, as pessoas eram induzidas a fazer um pagamento inicial para ingressar no suposto negócio. Em seguida, visualizavam lucros fictícios em uma plataforma virtual, mas, ao tentarem sacar o dinheiro, eram obrigadas a realizar novos pagamentos, equivalentes a 20% do valor acumulado, sob várias alegações.
A fiscal Ruth Karina Benítez relatou que muitas vítimas chegaram a penhorar veículos e outros bens para cumprir com as exigências financeiras. Os valores transferidos eram então convertidos na criptomoeda USDT pela plataforma Binance e enviados para carteiras digitais no exterior, dificultando o rastreamento. Em uma das carteiras apreendidas, foi identificado um saldo de 18.000 USDT, além de outros depósitos de alto valor que estão sob análise.
Os cinco detidos foram identificados como Carlos Ramón Segovia Báez, Jorge Rodríguez Morel, Jonathan Marcelo Segovia Báez, Néstor Manuel Galeano Martínez e Luis Alberto Portillo Ávila, todos residentes em San Ignacio. Eles são apontados como os principais operadores da estrutura no Paraguai, responsáveis por gerenciar os maiores volumes de dinheiro antes da conversão para criptomoedas.
Durante as buscas, foram apreendidos celulares com o aplicativo da Binance, cheques de diferentes bancos, dinheiro em espécie, duas armas de fogo com munição, uma caminhonete, CPUs, agendas e documentos que supostamente detalhavam o recrutamento de vítimas e o funcionamento do esquema.
Até o momento, o Ministério Público contabiliza 62 vítimas que apresentaram denúncia, com um prejuízo estimado em cerca de 700 milhões de guaranis. No entanto, a análise da movimentação financeira revelou transações superiores a 3 milhões de dólares em USDT, o equivalente a mais de 22 bilhões de guaranis. As autoridades estimam que o número real de vítimas em todo o país possa ultrapassar duas mil pessoas. A investigação continua, e novas detenções não são descartadas.
