Deputados da oposição criticaram duramente o relatório da Controladoria-Geral da República (CGR) sobre a evolução patrimonial do presidente Santiago Peña, classificando o documento como um “branqueamento” das finanças do chefe de Estado. O informe, encaminhado na segunda-feira ao Ministério Público, concluiu que não houve irregularidades no aumento da fortuna do mandatário, mas não analisou o período entre 2017 e 2023, quando Peña não exercia funções públicas e seu patrimônio cresceu cerca de 20 bilhões de guaranis.
Durante a sessão ordinária da Câmara dos Deputados, o parlamentar Adrián Billy Vaesken, do PLRA, afirmou que o resultado do exame de correspondência representou um “branqueamento” e causou um dano profundo ao país. “Não têm ideia de quanto dano causam à nação acobertando e acompanhando a impunidade”, declarou. Vaesken destacou que Peña é o único paraguaio que aumentou seu patrimônio em 1.600% em apenas cinco anos, conforme as declarações juramentadas apresentadas à própria Controladoria-Geral.
O deputado também criticou a postura do controlador-geral, Camilo Benítez, afirmando que ele já havia opinado publicamente em programas de televisão que o presidente era inocente e que seu crescimento patrimonial era compatível. “Já sabíamos qual seria a resposta dele”, sentenciou Vaesken, que ainda mencionou o recente sobreseimento do ex-senador Hernán Rivas no Poder Judiciário como parte de um cenário mais amplo de blindagem.
Na mesma linha, o deputado Guillermo Rodríguez, do partido Yo Creo, ironizou a conclusão do órgão de controle. “Vamos fingir que ele sempre foi um homem abastado, muito hábil nas finanças e que tudo o que tem é fruto de seu bom tino para questões financeiras, porque apostou em bitcoin, em criptomoedas, algo assim”, disse. Rodríguez rechaçou a ideia de que a riqueza não tenha relação com supostos desvios em programas de governo como Che Róga Porã e Hambre Cero, ou com o uso de recursos de entidades públicas e binacionais.
O legislador lamentou que a sociedade tenha normalizado a presença de “grandes analfabetos ostentando altos cargos nas binacionais”, em referência aos salários milionários distribuídos a operadores políticos sem concurso. Mencionou ainda o recente escândalo envolvendo um áudio atribuído ao senador Javier Zacarías Irún, irmão do diretor-geral da Itaipu, Justo Zacarías Irún. “Se querem fazer favores, que façam no setor privado, não em uma binacional. Nos fazem crer que a cidadania paraguaia deve pagar a burguesia colorada, aos intocáveis, aos senhores feudais”, concluiu Rodríguez.