Organizações lançam rede para transformar Assunção após décadas de abandono

Vinte e cinco organizações lançaram a Rede pelo Direito à Cidade para transformar Assunção, que enfrenta abandono histórico de praças, perda de áreas verdes, inundações e um sistema de transporte ineficiente, denunciando ainda uma crise técnica, financeira e moral na municipalidade.

Organizações lançam rede para transformar Assunção após décadas de abandono

Vinte e cinco organizações de bairros e coletivos urbanos de Assunção formaram a Rede pelo Direito à Cidade, uma plataforma cidadã independente que busca transformar a capital paraguaia e sua área metropolitana. O grupo, lançado oficialmente no último sábado, pretende articular esforços para superar o isolamento nas lutas vecinais e construir uma "musculatura social" capaz de influenciar políticas públicas locais.

Em manifesto apresentado publicamente, os referentes da rede afirmam que a capital enfrenta uma crise profunda, marcada pela perda de 190 hectares de árvores em 24 anos e o abandono histórico de suas praças e parques. O diagnóstico inclui ainda deficiências estruturais graves como a falta de drenagem pluvial que gera inundações constantes, um sistema de transporte ineficiente que rouba horas de vida dos cidadãos e a exclusão social de setores vulneráveis.

A rede manifestou que a Municipalidade de Assunção sofre uma "quebra técnica, financeira e moral", exemplificada no desvio de G. 512.000 milhões de bônos que deveriam ser destinados a obras durante a gestão de Óscar "Nenecho" Rodríguez, do Partido Colorado (ANR), e na cooptação da instituição por interesses alheios ao bem comum.

Aristides Ortiz, um dos porta-vozes da iniciativa, detalhou a crise estrutural: "Não há investimento há décadas nas 210 praças, parques e corredores verdes da cidade de Assunção. Foram abandonados e hoje estão em situação lamentável, praticamente não servem mais para o uso do cidadão".

Quanto ao modelo de mobilidade urbana, Ortiz advertiu que "as políticas públicas tanto do governo municipal como do governo nacional privilegiam o automóvel em detrimento do cidadão, que precisa do transporte público". Acrescentou que existem "mais de 150.000 pessoas vivendo nos bañados, na pobreza, e não estão incorporadas à cidade".

A rede pretende consolidar-se como um espaço autônomo, apolítico e sem vínculos com partidos, religiões ou o Estado, permitindo a integração plural de pessoas de diversas ideologias e gêneros. Seu objetivo prioritário é articular inteligência, recursos e propostas técnicas desenvolvidas por profissionais voluntários em áreas críticas para a transformação urbana.

Entre as propostas de ação imediata, a organização determinou não se limitar à denúncia estéril, incorporando agendas de capacitação pedagógica, diálogo direto com as candidaturas municipais e acompanhamento rigoroso das lutas vecinais ativas. No plano técnico, a plataforma impulsiona um novo Plano Regulador que seja cumprido rigorosamente e esteja a serviço das pessoas, não dos negócios imobiliários desregulados.

A organização estabeleceu como horizonte temporal o aniversário de quinhentos anos de Assunção em 2037, marcando o fechamento definitivo do ciclo de má gestão denunciado. A cidadania organizada começa assim a construir um novo modelo de capital baseado na dignidade, convocando novos grupos a se somarem à plataforma.

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Fontes (1)

Atualizado: 9 de ago. de 2026, 01:00