A prefeitura de Assunção, sob a gestão do intendente Luis Bello (ANR-HC), destinou nove de cada dez guaranis do orçamento à folha de pagamento e custos administrativos entre janeiro e abril de 2026, deixando menos de 8% para investimentos em infraestrutura urbana.
Segundo a prestação de contas do período, das G. 328,377 milhões totais executadas, mais de G. 292,784 milhões foram absorvidos por despesas correntes, o equivalente a 90% do orçamento. Apenas os serviços pessoais — salários, bonificações e demais pagamentos a funcionários — consumiram G. 230,172 milhões, ou 70% do total.
Os maiores itens da folha foram os jornais, com mais de G. 100,157 milhões, os salários do pessoal administrativo permanente, com G. 66,043 milhões, e bonificações e gratificações, que somaram G. 29,239 milhões. Esse valor com gratificações supera o aplicado em investimento físico no mesmo quadrimestre, de apenas G. 27,754 milhões.
A concentração de recursos na estrutura administrativa contrasta com o que a prefeitura própria descreve como abandono visível em bairros como Santo Domingo, Manorá e San Paulo, onde moradores relatam atrasos crônicos em obras de infraestrutura prometidas pela gestão anterior do ex-intendente Óscar “Nenecho” Rodríguez (ANR-HC), incluindo os bônus G8 de 2022. Buracos, falta de bocas de lobo e problemas na coleta de lixo se repetem em diversos pontos da cidade.
A distribuição atual também levanta dúvidas sobre o cumprimento da Lei 5.513/15, que limita a 40% da arrecadação do Imposto Imobiliário as despesas correntes, como salários, e reserva os outros 60% para investimentos de capital. A prefeitura não informou se esse percentual já foi ultrapassado.
No debate eleitoral para as eleições municipais de outubro, a oposição critica a possível continuidade do modelo. O vereador Humberto Blasco (PLRA) afirma que uma vitória do candidato oficialista Camilo Pérez (ANR-HC) representaria o “terceiro capítulo” da mesma linha de gestão que, segundo ele, privilegia gastos rígidos em detrimento do desenvolvimento urbano.
Pérez rejeitou publicamente a recomendação do interventor Carlos Pereira de desligar cerca de 3 dos mais de 9 mil servidores do município. O candidato diz propor uma reengenharia interna, mas só admitiria eventuais desligamentos em casos comprovados de “planilleros”.
