Paraguai eleva mistura de biodiesel no diesel comum apesar de protestos do setor

O Paraguai elevou a mistura obrigatória de biodiesel no diesel comum para 8% a 10% a partir deste domingo, apesar dos protestos do setor de combustíveis, que alerta para possíveis aumentos de preço e danos a motores.

Paraguai eleva mistura de biodiesel no diesel comum apesar de protestos do setor
Ilustração gerada por IA.

A partir deste domingo, 19 de julho, o gasóleo tipo III, ou comum, vendido no Paraguai deverá conter uma mistura obrigatória de biodíesel entre 8% e 10% em volume, conforme estabelece a Resolução N.º 472/2026 do Ministério da Indústria e Comércio (MIC). A medida mantém sua vigência apesar dos pedidos de postergação feitos por entidades do setor de combustíveis.

A Distribuidora de Combustíveis Associadas do Paraguai (Dicapar) enviou uma nota ao ministro Marco Riquelme no dia 8 de julho, somando-se a um pedido similar da Câmara de Distribuidoras Paraguaias de Combustíveis (Cadipac). O gremio argumenta que a norma foi adotada sem incorporar observações prévias do setor e priorizaria exclusivamente os interesses dos produtores de biodíesel.

Entre as principais preocupações, a Dicapar alerta que o aumento do percentual de biocombustível elevará o preço final ao consumidor, a menos que haja uma redução no Imposto Seletivo ao Consumo (ISC). Além disso, afirma que muitos motores a diesel, incluindo utilitários, maquinários agrícolas e veículos mais antigos, não foram projetados para operar com misturas superiores a 7%, o que poderia causar falhas mecânicas, redução de desempenho e problemas com garantias de fábrica ou cobertura de seguros.

O setor também questiona a infraestrutura disponível, afirmando que as terminais não teriam tempo hábil para migrar do método atual de mistura, o "Splash Blending", para o sistema de mistura em linha necessário para percentuais acima de 5%. A entidade pede uma postergação de 120 dias para a aplicação da resolução, a criação de uma mesa técnica interinstitucional e a atualização da lista de laboratórios acreditados para controle de qualidade.

Como sugestão, propõe que o combustível seja identificado nas bombas como "Gasoil S50 B10" para informar claramente o consumidor sobre o teor de biodíesel. Até o momento, o MIC manteve a decisão, e a nova mistura obrigatória entra em vigor conforme o cronograma original.

Fontes (1)

Atualizado: 16 de jul. de 2026, 01:30