O advogado Héctor Sosa Gennaro, analista político internacional com formação militar, afirmou que o Paraguai está atrasado em estratégia, treinamento e tecnologia para enfrentar facções criminosas transnacionais como o PCC e o Comando Vermelho, ambos designados pelos Estados Unidos como organizações terroristas globais.
Sosa explicou que a designação foi feita com base na Lei de Estrangeiros Inimigos, legislação que faculta ao presidente norte-americano realizar ações militares e intervenções. O secretário de Estado Marco Rubio formalizou, em 28 de maio, a classificação dos dois grupos brasileiros como organizações terroristas estrangeiras e como terroristas globais especialmente designados — esta segunda categoria permite embargos de contas e sanções contra países ou autoridades vinculadas a essas organizações.
O analista citou o caso da Colômbia, onde o presidente Gustavo Petro e sua família tiveram contas embargadas e o visto revogado. Segundo a opinião dele, o volume de dinheiro movimentado por essas facções é tão grande que pode desestabilizar a economia norte-americana, o que justifica a rigidez das sanções.
Sobre o Paraguai, Sosa afirmou que o país é afetado diretamente na segurança interna, já que ambos os grupos têm origem no sistema prisional e possuem capacidade econômica para influenciar autoridades. Ele criticou a falta de resultados concretos do acordo de cooperação firmado em março entre os presidentes Santiago Peña e Donald Trump, que prevê apoio tecnológico e compartilhamento de informações.
"Não vejo até hoje um benefício ou resultado em nível de segurança no nosso país. Compramos aviões, compramos radares, mas até hoje não há uma única avioneta interceptada", declarou. Ele relatou que, em uma operação recente, dois aviões Super Tucano escoltaram uma avioneta por cinco horas, mas a aeronave conseguiu decolar novamente com a carga, supostamente transportando drogas.
Sosa também questionou a ausência de uma lei de abate de aeronaves no Paraguai e argumentou que existe o procedimento de pouso forçado, no qual a aeronave militar se posiciona sobre a avioneta para forçá-la a pousar, sem necessariamente atirar. Ele ainda considerou uma "vergonha", em sua opinião, a incapacidade de capturar os integrantes do EPP (Exército do Paraguai do Povo), estimados em oito a dez pessoas operando em uma área de 10 a 40 km.
Questionado se o acordo com os Estados Unidos poderia permitir o compartilhamento de dados do caso Marset — o uruguaio Sebastián Marset, preso no Paraguai por tráfico de drogas —, Sosa respondeu que sim, o acordo permitiria essa troca de informações.