Paraguai reforça controles migratórios diante de vulnerabilidade revelada por caso na Argentina

O Paraguai intensificou controles migratórios e cooperação com agências internacionais após caso na Argentina expor suposta rede de influência russa, mas autoridades não confirmam se suspeitos ou russos foram identificados na fronteira.

O Paraguai intensificou os controles migratórios e a cooperação com agências internacionais após a revelação, na Argentina, de uma suposta rede de influência que teria buscado manipular a opinião pública por meio de meios de comunicação e operadores digitais. A rede, chamada "La Compañía", estaria vinculada ao Serviço de Inteligência Exterior da Rússia e teria financiado a publicação de conteúdos em veículos argentinos, utilizando jornalistas e colaboradores com identidades pouco claras ou falsas. A operação teria ocorrido em 2024 e visava atacar o governo do presidente argentino Javier Milei.

Segundo o jornalista Christian Martin, correspondente da GEN na Europa, a operação teria sido conduzida desde La Paz, na Bolívia, e distribuía conteúdo pró-Rússia, pró-Irã e pró-Venezuela, pagando valores entre USD 2.000 e USD 2.500 por reportagem ou nota em grandes veículos. Martin destacou que, embora o Paraguai seja um mercado pequeno, sua localização geográfica e a relativa facilidade de ingresso tornam o país vulnerável a esse tipo de operação.

Diante desse cenário, o diretor nacional de Migrações do Paraguai, Jorge Kronawetter, explicou que o principal requisito para estrangeiros que desejam residir no país é a apresentação de antecedentes criminais do país de origem ou do último país onde a pessoa tenha residido nos últimos três anos. Além disso, os dados são verificados junto à Interpol para identificar eventuais pedidos de captura internacional ou alertas vigentes. Kronawetter acrescentou que existem perfis específicos que demandam controles adicionais, os quais fazem parte de trabalhos de inteligência que não podem ser divulgados por questões de segurança.

Kronawetter mencionou um aumento no ingresso de cidadãos russos e ucranianos desde 2024, consequência do conflito bélico entre esses países. Segundo ele, o Paraguai tem realizado ações concretas em cooperação com agências nacionais e internacionais para definir perfis de risco e cruzar informações sobre migrantes que possam se enquadrar nesses perfis, obtendo resultados positivos na prevenção. As fontes consultadas não informaram, no entanto, se algum cidadão russo ou indivíduo suspeito foi efetivamente identificado ou impedido de entrar no país.

Além dos controles, os números indicam um crescimento significativo no interesse de estrangeiros em residir no Paraguai. Em 2025, foram registradas 47.687 solicitações de residência, um aumento superior a 63% em relação ao ano anterior, e foram concedidas 40.600 residências, crescimento acima de 42%. Os motivos para a escolha do Paraguai variam desde oportunidades de investimento, trabalho e estudos até a estabilidade econômica, custo de vida e menores restrições em comparação a outros países.

O Brasil lidera a lista de países com maior número de solicitações de residência no Paraguai, seguido por Argentina e Alemanha. Outros países com presença significativa incluem Bolívia, Espanha, Venezuela, Países Baixos, Estados Unidos, Rússia e França. A maioria dos estrangeiros opta inicialmente pela residência temporária, válida por dois anos, período em que avaliam se o país atende às suas expectativas antes de solicitar residência permanente.

Embora os antecedentes criminais e os controles migratórios sejam ferramentas essenciais para filtrar a entrada de estrangeiros, casos como o da rede de influência na Argentina mostram que algumas ameaças modernas podem não ser detectadas por esses meios, pois as atividades preocupantes podem surgir após a entrada no país.

Fontes (2)

Atualizado: 15 de jun. de 2026, 07:01