O Paraguai registra uma aceleração significativa na chegada de capital estrangeiro. Segundo Eduardo Gustale, viceministro da Red de Inversiones y Exportaciones (Rediex), em 2024 foram constituídas 490 empresas com participação de capital estrangeiro no país, número que subiu para 660 em 2025, um crescimento de cerca de 35%.
Gustale destacou que o perfil dos investidores mudou. Se antes predominavam empresas em fase de exploração comercial, agora há decisões mais concretas de instalação operativa, especialmente nos setores industrial, logístico, tecnológico e de serviços. A origem dos investimentos também se diversificou: além dos fluxos tradicionais do Brasil e da Argentina, crescem consultas e projetos vindos da Europa, da América do Norte e da Ásia.
Nos últimos dois anos e meio, o regime de maquila aprovou mais de 80 projetos entre 2024 e o primeiro quadrimestre de 2026. Somam-se a isso cerca de 100 projetos autorizados sob o regime de incentivos à investimento. Os setores envolvidos incluem têxtil, serviços globais, farmacêutica, metalmecânica, plásticos, alimentos, logística e manufatura avançada.
Para Gustale, o impacto da investimento estrangeiro direto vai além da arrecadação tributária. A instalação de uma empresa gera emprego formal, demanda de fornecedores locais, serviços logísticos, aluguel de infraestrutura e consumo de energia, movimentando uma cadeia econômica com efeito multiplicador. O viceministro também ressaltou a transferência de tecnologia e a capacitação de trabalhadores paraguaios como contribuições relevantes.
Entre as vantagens competitivas atuais, Gustale citou energia 100% renovável a preços baixos, regime tributário simples, população jovem com idade média próxima a 29 anos e estabilidade macroeconômica. Ele apontou o recente acesso do país ao grau de investimento como sinal dessa confiança internacional.
Os setores com maior dinamismo, segundo o viceministro, são agroindústria com maior valor agregado, alimentos e bebidas, manufatura têxtil, florestal, metalmecânica, serviços globais e logística. Também surgem oportunidades em biocombustíveis, hidrogênio verde, data centers, mobilidade elétrica e serviços tecnológicos.
Gustale reconheceu, porém, gargalos que precisam ser enfrentados. O principal é a infraestrutura logística, especialmente em transporte, conectividade e logística multimodal. Outro desafio é a formação de capital humano especializado, com maior oferta de técnicos, engenheiros e profissionais qualificados para atender indústrias cada vez mais sofisticadas. O governo também trabalha na redução de prazos e na simplificação de processos administrativos.
Entre as iniciativas em curso, o viceministro mencionou o Investor Pass, voltado a atrair não apenas empresas, mas também talentos, empreendedores e executivos, além de atualizações nos regimes de Maquila e de Incentivos à Investimento.
