Dezenove paraguaios, incluindo dois menores de idade, foram resgatados de um sistema de explotação laboral análogo à escravidão no estado brasileiro do Paraná. A operação foi realizada por uma força-tarefa interinstitucional após uma denúncia feita pelo Departamento contra o Tráfico de Pessoas do Paraguai à Polícia Federal do Brasil.
De acordo com o subcomissário José Rolón, do Departamento contra o Tráfico de Pessoas, as vítimas eram recrutadas na região de Alto Paraná por um compatriota que trabalhava como taxista. O suspeito organizava a viagem dos trabalhadores para o Brasil e depois descontava o custo do transporte de seus salários.
Os trabalhadores eram levados de forma gradual e permaneciam entre quatro e oito meses no estabelecimento agrícola, onde colhiam mandioca em jornadas que iniciavam por volta das 3h da manhã e se estendiam até as 19h, sem contratos formais ou garantias trabalhistas básicas.
Eles viviam em condições subumanas em duas residências no município de Tapirá, dormindo em colchões em mau estado colocados diretamente no chão e com acesso limitado a alimentos. O aluguel, a água e a energia elétrica também eram descontados de seus rendimentos, criando uma situação de dependência econômica.
O Ministério Público do Trabalho do Brasil constatou ainda restrições à liberdade. Os paraguaios precisavam informar o recrutador sempre que desejavam sair da moradia, e apenas alguns considerados "de confiança" tinham acesso livre a telefones celulares. Após todos os descontos, os trabalhadores recebiam entre 400 e 500 reais por mês.
Após o resgate, as vítimas foram levadas a um abrigo temporário e, depois de audiências judiciais, retornaram ao Paraguai com o apoio financeiro de uma empresa.
