O Paraguai quer transformar seu histórico superávit de energia elétrica em um ativo para a economia digital. O ministro da Indústria e Comércio, Marco Riquelme, defendeu que o país se prepare para atrair investimentos em centros de dados voltados à inteligência artificial, aproveitando a crescente demanda global por infraestrutura tecnológica.
“A IA é o movimento do futuro econômico do mundo. Se quisermos nos somar a essa onda de crescimento, temos que preparar o país para receber esse tipo de investimento”, declarou Riquelme em entrevista à rádio 1020 AM.
A estratégia se apoia em duas vantagens competitivas: a farta geração hidrelétrica, especialmente da binacional Itaipu, e a conectividade disponível. Atualmente, grande parte da energia não consumida pelo Paraguai é cedida ao Brasil. A proposta do governo é agregar valor a esse excedente, utilizando-o para alimentar servidores que treinam modelos de IA e armazenam grandes volumes de dados.
“Em vez de ceder a energia ao Brasil, vamos processá-la e vendê-la transformada em processamento de dados para inteligência artificial”, explicou o ministro. Ele acrescentou que a relação com Taiwan deve abrir portas para a instalação de uma empresa do setor no país.
A corrida global por data centers, impulsionada pelo avanço acelerado da IA, exige quantidades massivas de eletricidade. O Paraguai enxerga nessa demanda uma oportunidade para diversificar sua matriz econômica, gerar empregos especializados e se posicionar como um polo de serviços digitais na região.