Perícia aponta concreto fraco e ampliações como causas do desabamento em Encarnación

Perícia da FIUNA aponta concreto de baixa resistência e ampliações sem reforços adequados como causas do desabamento do edifício em Encarnación, que vitimou Monserrat Brítez e sua avó em abril de 2025.

Perícia aponta concreto fraco e ampliações como causas do desabamento em Encarnación
Ilustração gerada por IA.

Os advogados que representam a família de Monserrat Brítez, uma das vítimas fatais do desabamento de um edifício em Encarnação em 2 de abril de 2025, divulgaram detalhes da primeira perícia técnica realizada pela Faculdade de Engenharia da Universidade Nacional de Assunção (FIUNA).

A advogada Perla Riveros explicou que o estudo conclui que a baixa resistência do concreto em alguns pilares contribuiu para a redução da capacidade estrutural e é uma das causas prováveis do colapso. No entanto, o próprio relatório ressalva que o problema não pode ser atribuído apenas a esse fator.

Segundo a perícia, mesmo considerando a resistência prevista no projeto aprovado pela prefeitura, entre quatro e cinco pilares ainda apresentavam uma demanda superior à sua capacidade, indicando falhas estruturais mais amplas. A FIUNA observou que as sucessivas plantas incorporadas durante a obra não refletiam reforços para suportar o aumento progressivo de cargas, já que o projeto passou de cinco para oito andares, além da inclusão de uma piscina.

Os peritos não puderam inspecionar todos os elementos estruturais devido ao desabamento e recomendaram estudos complementares. Os advogados destacaram ainda a existência de um relatório anterior, elaborado por engenheiros que inspecionaram o prédio quando ainda estava de pé, o qual alertava que alguns pilares tinham dimensões inferiores às necessárias, comprometendo a segurança da construção e podendo levar ao colapso.

Para a defesa das vítimas, os dois relatórios não se contradizem, mas se complementam. Eles sustentam que a investigação deve avançar sobre o cumprimento do projeto original, as ampliações executadas, os eventuais recálculos, as dimensões reais dos pilares, a capacidade da fundação e as responsabilidades de todos os envolvidos no projeto, cálculo, construção, direção, fiscalização e controle da obra.

A causa continua em fase investigativa e o Ministério Público analisa as conclusões da perícia junto com outras provas para determinar as responsabilidades penais pela tragédia, que também tirou a vida da avó de Monserrat, Hermelinda Báez.

Fontes (1)

Atualizado: 16 de jul. de 2026, 01:30