Moradores do bairro Corumbá Cué, em Mariano Roque Alonso, denunciam que mulheres indígenas — incluindo meninas e adolescentes — são vítimas de violência e exploração sexual em terrenos baldios da região. As denúncias, muitas vezes acompanhadas de vídeos que mostram agressões brutais, contrastam com a posição oficial das autoridades.
A promotora Blanca Zaracho, da Unidade de Mariano Roque Alonso, confirmou que não há denúncias formais de estupro ou abuso envolvendo crianças na comunidade. Ela afirmou que recebeu alertas extraoficiais de vizinhos pedindo batidas policiais, mas que, ao enviar ofícios à delegacia, os agentes não encontraram indícios de crimes. “Quando chegam, já não encontram nada”, disse.
Imagens obtidas pela presidente da comissão de moradores, Juana Franco, mostram uma jovem indígena desacordada em um terreno baldio, com sinais de violência. Segundo Franco, o caso ocorreu há cerca de um mês. “A moça estava caída no mato; chamamos os agentes do Grupo Lince, que a reanimaram com RCP e deram água. Eles jogam tudo nelas e as largam, e os policiais têm que vir para salvá-las”, relatou.
O advogado Tomás Sánchez, da comunidade Maká, afirmou que o caso está sob investigação da Promotoria, mas a promotora Zaracho negou que qualquer denúncia ou material tenha sido protocolado em sua unidade.
A promotora também informou que investiga relatos extraoficiais de meninas que estariam se oferecendo a caminhoneiros perto da Ponte Remanso, em um posto de gasolina. Ela disse que uma operação interinstitucional com o Instituto Paraguaio do Indígena (INDI) e a Secretaria da Criança está sendo planejada, mas que uma ação anterior foi frustrada por um vazamento de informações.
O comissário Pedro Espínola, chefe da 10.ª Delegacia Central, reconheceu que os recursos são insuficientes: apenas quatro viaturas e 40 agentes para uma população de mais de 100 mil habitantes. “Ali há um problema social grave e grande, que não é só responsabilidade policial. Muitas instituições precisam se envolver, não só contra a insegurança, mas também contra as drogas e a exploração sexual”, afirmou.
O comissário Aldo Cabrera, chefe do Grupo Águia, disse que conta com 30 motociclistas para patrulhar toda a região Central e Corumbá Cué, classificada como zona vermelha. Ele destacou que, quando a situação excede a capacidade da equipe, é necessário convocar pessoal especializado e coordenar com a delegacia local.