Em meio a temperaturas baixas, 42 crianças e adolescentes indígenas foram resgatados na tarde de segunda-feira nas imediações da Terminal de Ônibus de Ciudad del Este. O operativo foi coordenado pelo Ministério da Niñez e da Adolescência (Minna), com apoio da Codeni local, do Instituto Paraguayo do Indígena (Indi), da Governação de Alto Paraná, do Ministério Público e da Polícia Nacional.
As crianças estavam sobre calçadas frias, cobertas com cobertores gastos, expostas à mendicidade nos semáforos. Segundo a advogada María Graciela Sánchez, da Codeni, as famílias chegam a arrecadar até 300.000 guaranis por dia pedindo esmolas. “Quem não vai se compadecer?”, questionou.
Entre os resgatados, uma mulher idosa oriunda de Central estava acompanhada de sete filhos menores — ela já havia sido abordada anteriormente em Fernando de la Mora. Três crianças estavam sem a companhia de um adulto responsável. Todos passaram por avaliação médica antes do traslado.
O grupo foi levado de volta às suas comunidades de origem em Caazapá, Guairá e algumas localidades de Alto Paraná. A mãe com sete filhos foi encaminhada ao Centro Aberto Refúgio do Minna em Ciudad del Este, enquanto medidas de proteção são definidas.
No entanto, o ciclo se repete. “Eles demoram de 15 a 20 dias para voltar, porque esta zona é altamente comercial e com muita circulação de dinheiro”, explicou Sánchez. As famílias alugam cômodos por 40.000 guaranis por dia; quando não conseguem, dormem sob lonas em terrenos baldios ou na área da Feira Permanente.
A Codeni denunciou que a situação beira a exploração infantil e a violação do dever de cuidado, podendo configurar crime. A Prefeitura de Ciudad del Este mantém um abrigo para adultos na Escola de Artes e Ofícios, e a Codeni dispõe de abrigo temporário para crianças em situação de rua. Funcionários municipais também distribuem agasalhos nas ruas para quem recusa os refúgios.