Pela primeira vez em 80 anos, uma mulher ocupa uma cadeira no Conselho de Administração do Instituto de Previsão Social (IPS). Mirtha Arias, representante do setor operário, assumiu o cargo em substituição a Víctor Insfrán Dietrich e promete uma gestão com foco humano e de gênero.
Com 38 anos de serviço na Prefeitura de Assunção e ex-presidente da Central Unitária de Trabalhadores (CUT), Arias pediu licença não remunerada na prefeitura para se dedicar integralmente à previdência. Ela conhece o sistema como segurada e acompanhante de pacientes.
Após visitar o Hospital Central, Arias disse ter se comovido com a situação de mães com filhos internados em terapia intensiva. “Já vi o abrigo do IPS, o desespero das mães pela falta de medicamentos e, às vezes, nem um prato de comida. Quero ser como uma madrinha dos abrigos”, afirmou.
A conselheira também prometeu revisar as barreiras burocráticas que atrasam benefícios. “Há pessoas que, por dois ou três dias de atraso patronal, não recebem a licença-maternidade, ou trabalhadores acidentados ficam sem cobertura. Precisamos otimizar isso para que o IPS realmente sirva ao trabalhador”, declarou.
Arias diferenciou os desafios atuais dos enfrentados por antecessores. Segundo ela, o período anterior focou na área administrativa porque o IPS estava com dívidas “astronômicas e catastróficas”. Agora, é hora de reconstruir a gestão básica e os serviços cotidianos. Ela criticou as longas filas no Hospital Central, onde idosos circulam perdidos, e propôs uma reestruturação de pessoal para oferecer atendimento personalizado e guiado.
Entre as propostas, estão a modernização da central de atendimento e a renovação dos canais de agendamento para acabar com o sofrimento dos segurados ao marcar consultas. A área médica, reconheceu, é o ponto mais crítico e exigirá maior controle técnico.
A nova conselheira lembrou que a única fonte real de financiamento do IPS são os trabalhadores contribuintes. Defendeu o uso de tecnologia e o cruzamento de dados com outros órgãos estatais para fiscalizar se as empresas declaram todos os empregados e contribuem corretamente.
Por fim, fez um apelo à juventude trabalhadora para que exija formalização laboral e valorize a seguridade social, como forma de sustentar e melhorar o sistema público de saúde.