A Associação Nacional de Segurados do Instituto de Previdência Social (IPS) entregou nesta terça-feira (19) uma nota na sede da Caja Central, em Assunção, manifestando indignação com a falta de resposta imediata das novas autoridades. O grupo solicitou uma audiência urgente em 23 de abril, mas a administração agendou o encontro apenas para 17 de junho, o que consideram inaceitável diante da gravidade da situação.
Cristina Machaín, vice-presidente da associação, criticou a postura da diretoria: “Nem sequer tiveram a delicadeza de comunicar ou dar uma resposta por telefone. Para nós é de suma urgência, porque não apenas fazemos reclamações, mas trazemos propostas”. Julio López, presidente da entidade, afirmou que a solução imediata exige que o Poder Executivo declare emergência sanitária, permitindo compras diretas de medicamentos e insumos. “A um mês da nova administração, nossos compatriotas continuam perambulando pelos corredores clamando por atendimento digno”, denunciou López, que representa entre 800 e 900 associados entre trabalhadores ativos, aposentados e pensionistas.
De acordo com o ABC Color, o Conselho de Administração do IPS, liderado por Isaías Fretes e com a presença da nova conselheira Mirtha Arias, revelou uma crise estrutural em seu patrimônio imobiliário. Durante a sessão desta terça, o conselho admitiu que a previdência está “de mãos atadas” por sua própria lei orgânica, que proíbe o Fundo de Jubilações e Pensões de usar recursos para pagar tributos ou manter imóveis. Um exemplo é uma propriedade na rua Jordania, em Assunção, recebida em 2006 como dação em pagamento de uma dívida de G$ 400 milhões. O terreno hoje vale G$ 2,6 bilhões, mas o imóvel está inabitável e acumula oito anos de impostos municipais atrasados, totalizando mais de G$ 67 milhões.
Para tentar reverter o cenário, o conselho abriu ofertas de arrendamento com compromisso de investimento. A proposta mais competitiva prevê um aluguel mensal de G$ 4,4 milhões, condicionado a um investimento de G$ 482 milhões para reconstrução do edifício. Também foi discutida a criação de uma Diretoria de Gestão de Imóveis, com autonomia para sanear dívidas fiscais e transformar as quase 800 propriedades do IPS em ativos rentáveis.
Além disso, o conselho adotou medidas de fiscalização sobre contratos médicos com baixa execução, postergou a licitação milionária de medicamentos biológicos e imunossupressores para análise mais aprofundada, e autorizou a compra de insumos gerais por meio da Tienda Virtual da Direção Nacional de Contratações Públicas, visando reduzir burocracia e aumentar transparência.