Professora denuncia esquema que multiplicou dívida de compra em descontos salariais

Uma professora denunciou à Comissão Especial do Senado um esquema que multiplicou dívidas de compras através de descontos salariais compulsórios, envolvendo empresas como a Nova Visão S.A., que emitiu múltiplas autorizações para um mesmo produto, aumentando valores originalmente pagos por professores e funcionários públicos.

Professora denuncia esquema que multiplicou dívida de compra em descontos salariais
Ilustração gerada por IA.

Uma professora do departamento Central, Carmen Molas, denunciou à Comissão Especial do Senado um esquema de endividamento que teria transformado uma pequena compra em uma duda milionária. O caso faz parte da investigação sobre a chamada "máfia dos pagarés", que teria vitimado principalmente professores, enfermeiros e funcionários públicos através de descontos compulsivos em seus salários.

Molas relatou que adquiriu uma placa de indução por G. 2.880.000, mas descobriu anos depois que foram emitidas cinco autorizações de desconto pelo mesmo valor, como se tivesse comprado cinco unidades. "Acabei pagando G. 14.400.000 por uma única placa", afirmou. A educadora também recebeu um termo como brinde, mas o item apareceu na documentação como parte da transação comercial.

Segundo a professora, ela já pagou cerca de G. 50 milhões em descontos salariais, mas a empresa Nova Visão S.A. alega que ainda deve G. 21 milhões. "Meus descontos nunca terminavam e eu queria saber por que continuavam descontando compulsivamente", declarou Molas durante o depoimento.

A Comissão Especial do Senado, presidida pelo senador Rafael Filizzola (PDP), identificou um padrão nas operações: fraccionamento de autorizações de desconto, uso de pagarés assinados em branco e emissão de múltiplos documentos sobre uma mesma compra. Outro caso analisado foi o da professora Diana Paniagua, de San Pedro, que adquiriu um ventilador de teto e um jogo de termos por G. 1.800.000, mas teve a dívida multiplicada por cinco através de autorizações consecutivas.

A investigação revelou que os mesmos proprietários da Nova Visión S.A. controlam outras duas empresas do mesmo ramo - NDL S.A. e Fast Credit S.A. - com estrutura administrativa vinculada. A Comissão também apurou que várias execuções judiciais de pagarés ligadas a essas empresas teriam sido promovidas pela mesma pessoa.

Molas alertou outros professores para revisarem cuidadosamente a documentação antes de assinar contratos e solicitarem cópias de todos os formulários. "Assinar documentos não significa que houve informação clara ou consentimento informado", destacou a educadora.

Fontes (1)

Atualizado: 13 de jul. de 2026, 01:31