O senador Rafael Filizzola (PDP) cobrou publicamente do presidente do Instituto de Previsão Social (IPS), Isaías Fretes, explicações sobre a destinação de bilhões de guaranis dos fundos previdenciários ao Ueno bank, instituição ligada ao Grupo Vázquez SAE, do empresário Federico Miguel Vázquez, ex-sócio comercial do presidente Santiago Peña. Em publicação na rede social X, Filizzola afirmou que requisitos essenciais de segurança financeira foram flexibilizados para permitir que o banco passasse a administrar esses recursos.
Filizzola questionou se o regulamento seria mantido sob medida para uma entidade vinculada ao presidente Peña ou se os padrões de proteção ao patrimônio dos aposentados e contribuintes seriam restabelecidos. O senador comparou o caso ao episódio dos equipamentos médicos da firma Neighpart SA abandonados no Hospital Central, prejuízo de US$ 20 milhões, e destacou que, agora, trata-se diretamente do dinheiro dos aposentados e de valores muito superiores.
Segundo o legislador, o Ueno bank passou de zero a G. 2,1 bilhões em apenas 30 meses, concentrando 12% de toda a carteira do Fundo de Aposentadorias e Pensões do IPS e se tornando o segundo maior receptor dos recursos do instituto. O primeiro depósito, de G. 70 bilhões, ocorreu em setembro de 2023, um mês após a posse de Peña na Presidência da República.
De acordo com Filizzola, a mudança foi viabilizada por um forte afrouxamento nas regras de investimento dos fundos previdenciários, com a redução para 60 pontos do mínimo exigido para participação de entidades financeiras, a alteração da exigência de classificação de risco igual ou superior a "A" e a eliminação total do requisito de patrimônio efetivo, antes considerado essencial para a aplicação prudente dos recursos.
Fretes assumiu a presidência do IPS em abril deste ano, após a renúncia de Jorge Brítez.