A menos de três semanas das eleições internas simultâneas dos principais partidos paraguaios, marcadas para 7 de junho, cresce a pressão por uma auditoria independente das máquinas de votação eletrônica. Senadores da Associação Nacional Republicana (ANR) e do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) alertam para vulnerabilidades no sistema e denunciam que o processo de verificação técnica, previsto para fevereiro, nunca foi concluído.
A senadora Lilian Samaniego, do movimento Causa Republicana, pediu publicamente ao presidente da ANR, Horacio Cartes, e ao presidente do Tribunal Eleitoral Partidário, Santiago Brizuela, que a auditoria seja realizada. “Isso estava previsto para fevereiro e até agora não foi feito”, afirmou. Samaniego disse contar com assessoria técnica que aponta vulnerabilidades nos equipamentos. “As máquinas de votação são vulneráveis, aqui e em qualquer lugar. Apenas cerca de sete países as utilizam”, declarou.
O senador colorado Luis Pettengill também criticou a situação. Ele acusou o diretor de Processos Eleitorais do Tribunal Superior da Justiça Eleitoral (TSJE), Carlos María Ljubetic, de mentir sobre a realização das auditorias. “Diz que já fez todas as verificações em janeiro, mas mente. Tinha que ser em fevereiro”, afirmou. Pettengill reclamou que apenas representantes do movimento Honor Colorado participaram dos testes e que os outros 51 movimentos internos da ANR foram excluídos. “Queremos auditar o software, não as máquinas”, disse.
Do lado liberal, a senadora Celeste Amarilla foi ainda mais dura. Ela afirmou que as máquinas “não geram confiança” e que “se vão carregar as urnas”. Amarilla disse que há preocupação tanto na oposição quanto entre colorados. “Eu sei que vão me fazer trampa e ao meu partido nesta interna. Vão carregar as urnas, haverá votos carregados, votos não contados e cédulas que diferem da máquina”, alertou. Ela também criticou o sistema de listas abertas, que, segundo ela, beneficia quem tem mais dinheiro e permite a entrada de figuras como Erico Galeano, que ela associou a dinheiro do narcotráfico.
O engenheiro informático Luis Benítez, especialista em segurança, detalhou as falhas técnicas. Ele afirmou que o TSJE vendeu “meias verdades” sobre o hardware. “Mentiram ao dizer que não tem RAM, que não tem disco rígido. Essas máquinas têm RAM e ROM. É nesses programas onde se conta o conteúdo que é preciso focar”, explicou. Benítez alertou que um ataque não precisa atingir os mais de mil locais de votação, mas apenas o nó central do TSJE em Assunção, e que o custo para manipular o sistema seria inferior a US$ 80. “Não é necessário tocar as 1.200 bocas, apenas uma porcentagem ínfima para manipular as eleições”, afirmou.
Diante do cenário, alguns setores já defendem o adiamento dos comícios até que haja garantias de transparência. A senadora Samaniego, no entanto, insiste que a auditoria pode restaurar a credibilidade. “Com isso se garante a igualdade de oportunidades, a transparência e a legitimidade que vai permitir a unidade na diversidade”, disse.