Peña confirma déficit mensual de mais de US$ 20 milhões no IPS e propõe duas saídas

O presidente Santiago Peña reconheceu que o déficit mensal do Instituto de Previsión Social (IPS) supera US$ 20 milhões e sugeriu aumentar a arrecadação, reduzir a evasão e melhorar a eficiência nos gastos, enquanto o presidente do IPS, Isaías Fretes, anuncia corte de medicamentos obsoletos e reorganização administrativa.

O presidente Santiago Peña confirmou neste sábado (16) que o déficit mensal do Instituto de Previsión Social (IPS) está acima de US$ 20 milhões, conforme havia sido apontado pelo presidente da instituição, Isaías Fretes. Em declaração durante visita a obras na avenida Avelino Martínez, em San Lorenzo, Peña afirmou que o problema é uma equação econômica e financeira: os aportes de trabalhadores e empregadores cobrem dois serviços — aposentadoria e saúde — e, se fosse necessário cobrir 100% das prestações, o déficit seria ainda maior.

“A aposentadoria não é um cálculo arbitrário, é matemático. Se eu contribuo 10, não posso receber 20, porque alguém está pagando. Nesse caso, quem paga é o Estado com seus impostos”, disse Peña, comparando a situação com o debate recente sobre a Caja Fiscal.

O presidente apresentou duas soluções: aumentar a arrecadação e reduzir a evasão nas contribuições sociais, combinado com maior eficiência; e comprar apenas o necessário, a preços competitivos. Peña também afirmou ter pedido a Fretes que identifique onde os gastos podem ser cortados, mencionando que a instituição gasta com itens desnecessários.

Fretes, por sua vez, classificou o momento como um dos mais difíceis da história do IPS e defendeu uma reorganização administrativa e médica profunda. Ele anunciou a eliminação de medicamentos e insumos do vademécum que, segundo ele, “estavam sendo comprados ao deus-dará”. Apesar da crise de desabastecimento e de irregularidades, Fretes afirmou que não teme pressões políticas, mas que apresentará denúncias formais apenas quando tiver toda a documentação e provas necessárias.

“Esta instituição está passando por momentos muito difíceis. Tem um irmão rico, que é a parte previdenciária, e uma parte médica que está pobríssima e órfã”, declarou Fretes, explicando que restrições legais impedem o uso dos fundos de aposentadoria para sustentar o sistema de saúde, levando à busca de mecanismos para “oxigenar” financeiramente a área médica.