O presidente Santiago Peña evitou se pronunciar sobre a renúncia dos ex-senadores Erico Galeano e Hernán Rivas, ambos do movimento cartista, durante um ato de entrega de moradias sociais em Presidente Hayes na quarta-feira passada. Quando questionado por um jornalista, Peña se retirou sem responder, expondo o desconforto do oficialismo diante de dois casos que abalaram a imagem do partido no Congresso.
Galeano, condenado em segunda instância por lavagem de dinheiro e associação criminosa no âmbito da operação "A Ultranza", uma das maiores investigações sobre narcotráfico e lavagem de ativos no país, viu a pressão aumentar após a confirmação da sentença. Rivas, por sua vez, foi envolvido em um escândalo pelo suposto uso de um diploma universitário falso para exercer a advocacia e ocupar cargos públicos. Ambos deixaram suas cadeiras no Senado quando a Câmara Alta começou a processar pedidos de perda de mandato, rompendo o blindagem política que os sustentava.
Em vez de abordar os casos, Peña discorreu sobre a polêmica gerada pela suspensão e posterior restituição do desfile militar previsto para as comemorações da Independência Nacional. Inicialmente, o governo avaliou não realizar o evento devido ao destacamento militar nos departamentos do norte, onde continuam as operações de busca por Almir de Brum e o combate a grupos criminosos ligados ao narcotráfico. Peña afirmou que o vice-presidente Pedro Alliana foi quem impulsionou a decisão de manter a atividade patriótica, ainda que em versão reduzida.
Outro tema abordado foi a situação do Instituto de Previsão Social (IPS). Peña reiterou seu apoio ao novo titular da previdência, Isaías Fretes, que nos primeiros dias de gestão denunciou compras irregulares e carências estruturais. O presidente afirmou que o IPS enfrenta uma crise acumulada há anos e que o governo busca dotar a nova administração de ferramentas para enfrentar as urgências do sistema de saúde previdenciário.