O setor suinícola paraguaio defendeu abertamente a transição do país para o status de livre de febre aftosa sem vacinação, rechaçando críticas de que a proposta atenderia apenas a interesses comerciais próprios. Hugo Schaffrath, presidente da Associação de Criadores de Cerdos do Paraguai, esclareceu que a iniciativa não partiu dos produtores, mas sim do Servicio Nacional de Calidad y Salud Animal (Senacsa), que avalia que o Paraguai está pronto para acompanhar o movimento já adotado pela maioria dos vizinhos regionais.
Schaffrath lembrou que, com exceção do Uruguai, o Paraguai é o único país sul-americano que ainda vacina contra a aftosa, enquanto Brasil, Bolívia, Equador e Chile já avançaram para o reconhecimento sem vacinação. Ele reconheceu que a suspensão da imunização beneficiaria diretamente a cadeia suína, uma vez que os principais mercados importadores — como Japão, Coreia do Sul, México e Chile — exigem essa condição sanitária para fechar negócios e pagar os melhores preços.
Schaffrath projetou um salto ambicioso para o setor: atualmente o Paraguai exporta cerca de 20 mil toneladas de carne suína, mas a meta é alcançar 250 mil toneladas em cinco anos. No ano passado, as vendas externas geraram US$ 57 milhões, cifra que poderia se aproximar de US$ 1 bilhão no mesmo horizonte, segundo Schaffrath. Hoje, aproximadamente 85% das exportações paraguaias de carne de porco têm como destino Taiwan, concentração que o setor quer reduzir.
Marta Mareco, presidenta da Capainpod, reforçou que o objetivo é deixar de depender exclusivamente de mercados de menor valor e acessar nichos premium, exportando cortes especiais em vez de operar como commodity. Mareco detalhou que o Paraguai negocia o ingresso no mercado chileno por meio do sistema de compartimentação sanitária, que certifica estabelecimentos livres de febre aftosa, peste suína clássica e peste suína africana. Técnicos chilenos já realizaram vistorias em plantas produtivas e frigoríficos, e o processo pode ser concluído entre o fim deste ano e o início do próximo.
Schaffrath assegurou que o setor não pretende agir de forma irresponsável e que apoia um processo ordenado e prudente. “Se ocorrer algum problema sanitário em países vizinhos, como Brasil ou Bolívia, o processo deveria ser suspenso”, afirmou. Mareco, por sua vez, questionou as críticas de segmentos pecuários e defendeu a contribuição econômica e social da cadeia suína, lembrando que mercados exigentes condicionam a entrada de produtos como patas e rabos de porco ao status de país livre sem vacinação.