Uma tragédia abalou o bairro Santa Luísa, em Lambaré, na madrugada deste domingo (17). Uma jovem de 26 anos matou o próprio filho, de apenas 7 anos, e depois tirou a própria vida. Os corpos foram encontrados pela proprietária do inquilinato, a pedido do padrasto da criança, que estava em Caazapá passando o Dia das Mães com a família.
Segundo informações da polícia, o menino foi asfixiado com um travesseiro e deixado na cama, coberto por um cobertor. A mãe se enforcou com uma corda amarrada ao teto. O padrasto contou que conversou com a mulher por volta das 23h de sábado e que tudo parecia normal.
Antes de cometer o ato, a jovem escreveu uma carta à mão, fotografou as páginas e as publicou em seu perfil no Instagram. No texto, ela acusa o pai biológico do menino de abusar sexualmente da criança desde os 3 anos de idade. Também afirma que a mãe e a irmã do ex-companheiro eram cúmplices das violações.
“Isso foi denunciado na delegacia 4ª de Lambaré e encaminhado ao Ministério Público, Unidade 4”, escreveu. “Meu caso nunca foi investigado. Nunca fizeram nada. Hoje meu coração não aguenta mais tanta dor, tanto sofrimento, e ver meu filho sofrer, que não passa um dia sem que ele se lembre de tudo que aquele nojento fazia.”
Ela concluiu: “Espero que depois da minha morte receba justiça, mas os mortos não têm justiça no Paraguai.” A postagem incluía fotos do ex-companheiro, da avó e da tia do menino, além de uma notificação do Ministério Público relacionada ao processo por abuso sexual infantil.
A denúncia original estava a cargo da promotora Amelia Bernal, da Unidade 4 da Promotoria de Lambaré. Policiais que atuaram na investigação relataram que a mulher parecia emocionalmente instável na época, mas que isso poderia ser uma reação natural à situação que vivia com o filho.
O caso agora é investigado pela promotora Nora Cubilla, da Unidade 1 da Promotoria de Lambaré. A polícia não descarta que a carta e as imagens publicadas possam conter elementos relevantes para a apuração criminal.