Na madrugada de segunda-feira (18), uma tragédia abalou o bairro Santa Luisa, em Lambaré. Uma mulher de 26 anos asfixiou o filho de 7 anos com um travesseiro e depois se enforcou com uma corda. Em uma carta publicada em sua conta no Instagram, ela afirmou que tomou a decisão por acreditar que a denúncia de abuso sexual contra o pai biológico da criança, registrada em 2024, nunca foi investigada adequadamente.
“Meu caso nunca foi investigado. Nunca fizeram nada. Hoje meu coração não aguenta mais tanta dor, tanto sofrimento, e ver meu filho sofrer, que não passa um dia sem ele lembrar de tudo que aquele nojento fazia”, escreveu a mãe. “Espero que depois da minha morte receba justiça, mas os mortos não têm justiça no Paraguai”, acrescentou.
O caso estava sob responsabilidade da promotora Amelia Hortencia Bernal Jara, da Unidade 4 do Ministério Público de Lambaré. A denúncia foi recebida em 9 de dezembro de 2024, com a intervenção da promotora Laura Romero, que naquela semana substituía o promotor Luis Muniagurria. A criança foi levada à Clínica Forense, onde exames descartaram violência física. A investigação prosseguiu.
O menino foi atendido no Centro de Atenção às Vítimas, onde recebeu apoio psicológico. Em entrevista, a criança mencionou outro nome de forma hesitante, sem conseguir precisar datas ou fatos. A mãe, descrita como angustiada e com comportamento contraditório, chegou a apontar um policial como possível agressor, o que levou à solicitação de uma avaliação psicológica para ela.
No dia seguinte à denúncia, 10 de dezembro de 2024, a mulher teria tentado se jogar na frente de um veículo com o filho e depois subiu em um telhado, ameaçando se atirar. Uma vizinha comunicou o fato ao Ministério Público, que acionou a diretora do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Codeni) de Lambaré. A criança foi resgatada e entregue a uma tia. A Defensoria da Criança e do Adolescente de Lambaré foi informada para acompanhamento.
A promotoria afirmou que tentou agendar avaliações psicológicas para o menino, mas ele não compareceu às entrevistas marcadas. A tia declarou que a criança não havia relatado abuso ou violência. “Assim, como não se confirmou a existência do fato criminoso, o exame médico descartou lesões físicas e sinais de violência sexual, e houve falta de comparecimento às entrevistas, não havia elementos objetivos para uma denúncia”, conclui o comunicado.
O diretor de Medicina Legal do Ministério Público, Pablo Lemir, confirmou que não foram solicitadas necropsias dos corpos, cabendo à promotora Nora Lisandra Cubilla Alvarenga fazê-lo. A polícia informou que os corpos foram entregues às famílias. Lemir alertou: “O fato de não encontrar lesões físicas de abuso sexual em uma criança não implica a ausência do fato. Nem todo abuso sexual em menores deixa sinais físicos; o que sempre ficam são sequelas psicológicas.”