O Tribunal de Apelación rejeitou, nesta segunda-feira (15), mais uma recusação apresentada no âmbito do processo por lesão de confiança que envolve a intendenta de Quyquyhó, Patricia Corvalán (ANR-HC), esposa do deputado Esteban Samaniego, e outras 13 pessoas. O tribunal confirmou o juiz Humberto Otazú, da vara de garantias em delitos econômicos, como responsável pela condução do caso e instou a que sejam aplicadas sanções disciplinares contra os acusados que vêm utilizando recursos meramente dilatórios para atrasar o andamento do processo.
A recusação foi apresentada pelo acusado Damián de Jesús Galarza Dárdano. Segundo o tribunal, a defesa de Galarza interveve no processo com o único objetivo de apresentar a recusação e, assim, suspender a audiência prevista para 3 de junho. Os magistrados Camilo Torres, Arnulfo Arias e Gustavo Amarilla consideraram que o pedido carece de respaldo jurídico suficiente e evidencia uma tentativa de obstruir a audiência preliminar, na qual se deve decidir se a causa será elevada a julgamento oral e público.
O Ministério Público aponta que os acusados teriam integrado um esquema para desviar recursos da Municipalidad de Quyquyhó durante a gestão de Esteban Samaniego como intendente, entre 2011 e 2017. O prejuízo patrimonial é estimado em G. 1.108.599.918. Parte desse dinheiro teria sido usada para a construção de uma residência familiar de dois andares e 306 m², localizada na esquina das ruas Padre Juan María Casanello e Pampa Grande, no bairro San Vicente, em Assunção, dentro de um imóvel de propriedade de Blanca Álvarez viúva de Samaniego, mãe do deputado.
A acusação também relata que o então intendente pagou, com recursos municipais, salários a familiares e a seu guarda pessoal por meio de cheques que renderam benefícios econômicos indevidos no valor de G. 338.595.000. Além de Patricia Corvalán e Blanca Álvarez, estão acusados Manuel Olazar e Andrés Alfredo Arrúa Brítez — empresário da construção e amigo do deputado que atualmente concentra obras municipais durante a gestão da intendenta — pelos crimes de administração em provecho próprio e lavagem de dinheiro.
Outras pessoas foram acusadas por administração em provecho próprio e associação criminal: Enrique Lovera Lezcano, Guido Vargas Gaete, Carlos Bareiro Bogarín, Ruth Medina Yegros (atual candidata a intendenta de Quyquyhó pelo cartismo), Líder Ramírez Ramírez e Pedro Ettiene Villanueva. Benigno Villasboa Cáceres e Óscar Samuel Fanego Otazú respondem por associação criminal, enquanto Damián de Jesús Galarza e Christian Daniel Domínguez foram acusados de administração em provecho próprio.
Esteban Samaniego, embora imputado, ainda não foi formalmente acusado, uma vez que seus colegas parlamentares mantêm seu foro e não autorizaram o desafuero. A maioria dos acusados se alterna na apresentação de diferentes chicanas processuais para dilatar a audiência preliminar e evitar que a causa seja elevada a julgamento oral, o que já dura cerca de um ano e meio.