Um acordo entre o Ministério da Saúde Pública e do Bem-Estar Social e um grupo de médicos especialistas retirou 446 pedidos de demissão e permitiu a retomada, a partir de segunda-feira, das cirurgias programadas que estavam ameaçadas. O entendimento, porém, não encerrou a crise: o Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed) mantém a greve marcada para 21 e 22 de setembro de 2026.
O pacto foi assinado em 10 de setembro pela ministra María Teresa Barán, pela senadora Lilian Samaniego e por representantes de áreas como anestesiologia, neurocirurgia, pediatria, cardiologia, cirurgia cardiovascular e terapia intensiva. Samaniego afirmou que cerca de 200 especialistas considerados indispensáveis voltariam ao trabalho e que até 1.500 cirurgias por mês estavam suspensas.
A proposta apresentada pelo governo prevê uma tabela progressiva de remuneração: G. 6,5 milhões para o primeiro vínculo, G. 13 milhões para o segundo e G. 19,5 milhões para o terceiro, com implementação prevista para abril, julho e outubro de 2027. O valor e o cronograma, no entanto, não foram aceitos pelo Sinamed, que reivindica um piso salarial equivalente a 2,8 salários mínimos e uma solução para outras deficiências do sistema.
O presidente do Congresso, Basilio Núñez, deve levar ao Poder Executivo a contraproposta do sindicato. O senador Natalicio Chase disse que a mesa de negociação também analisa uma proposta do Ministério da Saúde de US$ 67 milhões para distribuir entre os profissionais conforme fatores como especialização, mas os representantes médicos defendem a manutenção do plano de carreira vigente.
As principais entidades médicas contestaram o acordo. A Sociedade Paraguaia de Medicina Crítica e Cuidados Intensivos informou que não participou nem assinou o documento. O Círculo Paraguaio de Médicos, a Sociedade Paraguaia de Pneumologia e especialistas do Hospital Geral Pediátrico afirmaram que o texto não traz garantias orçamentárias nem prazos concretos e criticaram uma negociação considerada setorial.
Em Villarrica, quatro dos sete anestesiologistas do Hospital Regional apresentaram formalmente suas renúncias ao Ministério da Saúde. As demissões ainda não foram aceitas, e os profissionais continuam trabalhando; as equipes informaram que, por enquanto, as escalas de emergência, cirurgias e maternidade permanecem cobertas. O diretor regional Rigoberto Alarcón alertou que a eventual saída dos especialistas poderia comprometer serviços cirúrgicos e obstétricos.
Samaniego disse que o acordo tratou da urgência operacional e que o segundo passo será negociar as reivindicações gerais do Sinamed, incluindo salários, medicamentos, insumos e infraestrutura. A estratégia provocou um confronto político com a senadora Esperanza Martínez, que acusou o governo de tentar dividir os médicos. Samaniego negou a acusação e exigiu desculpas da colega, enquanto os especialistas signatários afirmaram que retiraram suas renúncias sem abandonar o movimento pelo piso salarial.
