A situação do ex-governador de Central, Hugo Javier González, voltou ao centro do debate político no Paraguai nesta terça-feira (22), após o advogado de defesa, Guillermo Gayoso, desmentir publicamente as versões sobre uma suposta agressão física detalhada que teria ocorrido na prisão. A retratação ocorre em meio a um clima de tensão na Câmara dos Deputados, onde parlamentares cobram garantias de segurança para o ex-mandatário, que segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nacional de Itauguá.
Gayoso afirmou à emissora NPY que seu cliente apresenta "situações delirantes" e "vê fantasmas", atribuindo as declarações anteriores a um estado de saúde mental comprometido pela medicação e pelo trauma. O advogado negou categoricamente que Hugo Javier tenha sofrido golpes com luvas de boxe ou pago 35 mil guaranis para evitar ser morto, como havia sido divulgado por terceiros. Segundo Gayoso, embora o ex-governador consiga falar com dificuldade, suas narrativas não correspondem à realidade dos fatos investigados.
As especulações sobre violência ganharam força quando o ex-intendente de Ciudad del Este, Miguel Prieto, divulgou que Hugo Javier teria relatado ter sido agredido durante sua reclusão. No entanto, o Ministério Público mantém a hipótese principal de que as lesões foram causadas por uma queda, sustentando essa versão com oito elementos técnicos já apresentados. A investigação busca reconstruir os movimentos do ex-governador antes da hospitalização, mas enfrenta obstáculos, incluindo a limpeza da cela onde ele estava, o que pode ter afetado a preservação de provas materiais.
Na sessão legislativa, o deputado Guillermo Rodríguez pediu que o Estado garanta a integridade física de Hugo Javier, independentemente das circunstâncias que levaram às suas lesões. Ele argumentou que, à medida que o ex-governador recupera a capacidade de comunicação, qualquer informação fornecida deve ser rigorosamente contrastada pelas autoridades competentes. Rodríguez alertou contra a conclusão precipitada de qualquer hipótese antes do fim das diligências, destacando a responsabilidade estatal pela segurança de presos sob custódia.
O caso expõe a fragilidade das informações que circulam durante processos criminais sensíveis no Paraguai. Enquanto a defesa aponta para a instabilidade psicológica do cliente para invalidar relatos de tortura ou extorsão, a promotoria trabalha para esclarecer se houve negligência carcerária ou acidente doméstico dentro da unidade prisional. A evolução clínica de Hugo Javier será determinante para saber se ele poderá prestar depoimento formal e corroborar ou refutar definitivamente as versões conflitantes.
