Alto Paraná vira epicentro de megaassaltos com táticas de "Nuevo Cangaço" no Paraguai

O departamento de Alto Paraná se consolidou como principal palco de megaassaltos no Paraguai nos últimos doze anos, com organizações criminosas adotando táticas paramilitares do "Nuevo Cangaço", incluindo o ataque mais recente em Santa Rita, onde cerca de 20 criminosos roubaram aproximadamente 3 bilhões de guaranís de bancos e casas de câmbio.

Alto Paraná vira epicentro de megaassaltos com táticas de "Nuevo Cangaço" no Paraguai
Ilustração gerada por IA.

O Alto Paraná se consolidou, nos últimos doze anos, como o principal palco de megaassaltos no Paraguai, com organizações criminosas adotando táticas paramilitares inspiradas no chamado "Nuevo Cangaço", modalidade de origem brasileira que sitia localidades para roubar bancos e transportadoras de valores.

Segundo levantamentos da Polícia Nacional, o departamento já sofreu cinco ataques desse tipo, superando os quatro registros em Itapúa e as ocorrências em Canindeyú e San Pedro. A região é visada por concentrar alta produção agrícola, grandes cooperativas, investimentos milionários e intenso fluxo comercial em Ciudad del Este, além de estar próxima às fronteiras com Brasil e Argentina, cortada pelo rio Paraná e por rotas de fuga por áreas pouco povoadas e boscosas.

O golpe mais recente ocorreu na madrugada de 16 de junho passado, quando cerca de 20 criminosos tomaram o centro urbano de Santa Rita por aproximadamente 15 minutos e levaram cerca de 3 bilhões de guaranís. O grupo atacou com explosivos e rajadas de fuzis as agências do Banco Familiar, do Banco GNB, da Santa Rita Cambios e do ueno bank, promovendo duas explosões nos dois primeiros bancos antes de fugir com o botín milionário.

Para escapar, dois veículos usados na ação cruzaram o departamento de sul a norte e foram incendiados próximo ao Lago Itaipú, em Hernandarias, sem que as autoridades tenham confirmado se os ocupantes cruzaram para o Brasil ou se a manobra foi apenas uma tática para despistar a Polícia e o Ministério Público. Os criminosos também queimaram veículos nos acessos do centro de Santa Rita e espalharam pregos ("miguelitos") nas vias para impedir a chegada das viaturas, além de terem roubado um fuzil Galil da Polícia Nacional e uma pistola de um agente que foi feito refém para conter a reação dos demais policiais.

Em 26 de fevereiro deste ano, uma ação semelhante havia atingido a agência do Banco Sudameris em Naranjal, cerca de 40 quilômetros ao sul de Santa Rita. Entre 15 e 20 homens fortemente armados bloquearam os acessos, detonaram três cargas explosivas contra o cofre e fugiram em direção a Caazapá, embora o sistema de tintagem de cédulas tenha sido ativado. Antes disso, em 20 de novembro de 2024, uma quadrilha de cerca de 10 criminosos já havia atacado a agência da Bancoop na mesma localidade, destruindo o cofre em cinco minutos e levando aproximadamente 2,8 bilhões de guaranís.

O histórico assalto à transportadora Prosegur em Ciudad del Este, em 24 de abril de 2017, é considerado um dos mais agressivos já registrados no país. Um grupo de cerca de 50 homens, com fuzis de guerra, metralhadoras antiaéreas e explosivos de alta potência como C4, incendiou mais de dez veículos para bloquear pontes e acessos, destruiu a fachada do edifício e levou 11,7 milhões de dólares. Investigações no Brasil, que resultaram em condenações, apontaram a participação da organização criminosa Primeiro Comando da Capital, classificada como terrorista pelos Estados Unidos.

Apesar da sucessão de ataques ao longo de diferentes gestões governamentais, as autoridades ainda não conseguiram conter as ações dessas organizações, que seguem usando táticas sofisticadas, rotas de fuga planejadas e forte poder de fogo para superar as forças de segurança locais.

Fontes (1)

Atualizado: 21 de jun. de 2026, 09:31