Um grupo de cerca de 20 homens fortemente armados atacou na madrugada desta terça-feira (16), de forma simultânea, quatro entidades financeiras em Santa Rita, departamento de Alto Paraná. Os alvos foram os bancos GNB, Familiar, Ueno Bank e a casa de câmbio Santa Rita Cambios.
Os criminosos usaram explosivos para acessar as bóvedas dos bancos GNB e Familiar, que foram completamente esvaziadas. No Ueno Bank, os assaltantes reduziram um funcionário, mas não havia bóveda no local. Na Santa Rita Cambios, um artefato explosivo foi encontrado dentro do estabelecimento, mas não chegou a detonar.
Durante a ação, quatro policiais que faziam patrulhamento na região foram rendidos e desarmados. Um deles foi despojado de um fuzil Galil da Polícia Nacional. Os agentes relataram ter sido encurralados e ameaçados de morte. "Ficamos encurralados e não havia mais nada a fizeram. Nos taparam tudo e não vimos nada. Usaram armas de grosso calibre", disse um dos policiais.
Na fuga, os criminosos incendiaram dois veículos — um no acesso norte e outro no acesso sul de Santa Rita — e espalharam pregos tipo "miguelito" nas vias para dificultar a perseguição. Houve troca de tiros durante a ação, e uma patrulheira recebeu impactos de bala.
O comandante da Polícia Nacional, César Silguero, confirmou que a principal hipótese aponta para uma estrutura criminal integrada por paraguaios e brasileiros. "Sabemos que alguns integrantes foram detenidos e outros permanecem no sistema penitenciário, mas também que esses grupos costumam se reorganizar. Existem líderes que financiam esse tipo de operações", afirmou. Silguero viajou até Santa Rita para coordenar as ações investigativas e preventivas.
O diretor de Investigação Criminal, Marcelino Espinoza, informou que os investigadores têm fortes suspeitas de que os autores do assalto em Santa Rita são os mesmos que cometeram um golpe similar recentemente em Naranjal. Análises periciais confirmaram o uso de armas de grosso calibre, incluindo projéteis de calibre 5.56 e 7.62.
O ministro do Interior, Enrique Riera, não descartou a participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no ataque. Segundo Riera, o comandante da Polícia Nacional lhe indicou que o modus operandi seria compatível com o estilo de atuação do PCC: "Queimaram dois veículos na fuga e eram aproximadamente entre 15 e 20 pessoas", declarou em entrevista à rádio Monumental 1080 AM.
A fiscal Rocío González, responsável pela investigação, afirmou que alguns integrantes da quadrilha já foram identificados por meio de câmeras de segurança. Entre os suspeitos estariam dois policiais — um ativo e um ex-agente — supostamente envolvidos em ataques anteriores, embora a Polícia Nacional não tenha confirmado oficialmente os nomes por reserva de atuação.
A Fiscalía Adjunta del Área X reforçou a investigação com a incorporação dos promotores Edgar Benítez e María del Carmen Meza ao caso. O Ministério Público e a Polícia Nacional trabalham de forma coordenada com o Comando Tripartito e organismos de segurança do Brasil e Argentina para trocar informações e tentar desarticular a organização.
Apesar das alertas prévias de inteligência sobre possíveis ataques a transportadoras de valores na região, as forças de segurança não conseguiram evitar o golpe. O comandante Silguero reconheceu que a grande quantidade de entidades financeiras em Alto Paraná dificulta a cobertura permanente de cada local. A Polícia Nacional anunciou que manterá reuniões com a Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) para revisar os mecanismos de proteção das agências na região.