BNF reduziu garantias e dispensou despesas em crédito de G. 62 bilhões à itti

O BNF reduziu as garantias exigidas, flexibilizou os desembolsos e isentou G. 62 milhões em despesas administrativas ao alterar, em outubro de 2023, o crédito de G. 62 bilhões concedido à itti, apesar de ressalvas sobre a avaliação e a situação dos imóveis oferecidos.

BNF reduziu garantias e dispensou despesas em crédito de G. 62 bilhões à itti

O Banco Nacional de Fomento (BNF), banco estatal do Paraguai, aprovou em julho de 2023 um crédito de G. 62 bilhões — cerca de US$ 10 milhões — para a empresa de tecnologia itti, do Grupo Vázquez SAE, com prazo de dez anos e 30 meses de carência para o pagamento do principal. A operação foi posteriormente alterada, embora os imóveis inicialmente oferecidos como garantia valessem menos do que o exigido pela resolução original.

O financiamento destinava-se à reforma de escritórios, compra de mobiliário, caixas eletrônicos, licenças de software e equipamentos de segurança. Para liberar o valor integral, o BNF havia exigido um fideicomisso imobiliário com patrimônio mínimo de G. 88,572 bilhões.

Documentos internos citados nas reportagens mostram que a divisão de avaliação do próprio banco atribuiu aos 14 imóveis apresentados o valor de G. 28,985 bilhões. Já um perito da fiduciária Finexpar S.A.E.C.A., atualmente Zeta Banco, estimou o conjunto em G. 55,251 bilhões. A diferença levou a Gerência da Área Comercial a propor a redução do patrimônio exigido para esse segundo valor.

Um dos terrenos fica em Limpio e pertence à Ueno Holding S.A.E.C.A., empresa na qual Santiago Peña era acionista até abril de 2025. O imóvel, avaliado pelo BNF em G. 14,470 bilhões — ou G. 11,576 bilhões em uma venda rápida — possui pedreiras inativas. Uma inspeção registrou que elas estavam sem operação havia aproximadamente oito anos.

Em relatório de 9 de outubro de 2023, a área de avaliação advertiu que uma eventual retomada da exploração mineral poderia depreciar o terreno e reduzir sua eficácia como garantia. O documento também apontou que um projeto de urbanização mencionado na avaliação externa não tinha aprovação registrada pelo Serviço Nacional de Cadastro. Além disso, não havia autorização de jazida nem estudo geológico sobre produtividade, custos e retorno da exploração.

Apesar das ressalvas, o conselho do BNF aprovou em 11 de outubro a mudança das condições. O desembolso passou a ser dividido em três etapas: G. 4 bilhões mediante assinatura de nota promissória; G. 16,289 bilhões com o comprovante de entrada do pedido de registro; e até G. 41,710 bilhões após a incorporação de novos ativos ao fideicomisso. A empresa também foi dispensada de pagar G. 62 milhões em despesas administrativas relacionadas à alteração.

O contrato listou como constituintes do fideicomisso a itti, a então Financeira Ueno, o Grupo Vázquez e a Ueno Holding. O Grupo Vázquez é presidido por Federico Miguel Vázquez. Na época da operação, Peña ainda era acionista da Ueno Holding, embora não haja, nas informações apresentadas, indicação de que o presidente tenha participado da decisão do BNF.

A mudança ocorreu pouco depois da posse de Peña, enquanto Manuel Ochipintti presidia o banco. Procurado sobre a operação, o gerente-geral César Vargas afirmou que os detalhes estão protegidos pelo sigilo bancário. A itti é controlada pelo Grupo Vázquez e, em 2025, apresentou ao próprio BNF uma proposta de G. 136 bilhões para um sistema bancário central, mais que o dobro do crédito concedido em 2023.

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